A comerciante Joelma da Silva Prado, de 33 anos, não sabia o que fazer com sua filha que, aos 7 anos (hoje ela tem 10), não conseguia andar de carro sem vomitar, vivia tropeçando e não conseguia ouvir a professora. Pensando que as quedas eram reflexo de um problema nos pés, levou a menina a um ortopedista.

Nada de errado. Após um desmaio, levou-a a um hospital. Os exames não deram nada. Até que um neurologista descobriu que um único problema causava sintomas tão diversos: a menina sofria distúrbios no labirinto - ou ouvido interno -, responsável por dar equilíbrio.

Apesar de serem mais comum em adultos, esses problemas também podem atingir crianças - e até bebês. No Brasil não há pesquisas específicas que mostrem a prevalência nessa faixa etária. Mas estudos realizados na Escócia e na Finlândia indicam que esses distúrbios, conhecidos popularmente como labirintite, podem atingir cerca de 10% das crianças. Os sintomas são muitos: dores de cabeça, tonturas, vômito sem motivo aparente ou quando estão em veículos em movimento, dificuldades para dormir. Além de afetar a qualidade de vida, podem prejudicar o rendimento escolar.

O difícil é identificar esses sintomas como distúrbios no labirinto. “As crianças pequenas têm dificuldade de explicar a tontura. Ou, quando falam, os pais não dão importância”, diz o otorrinolaringologista Ítalo Medeiros, chefe do Ambulatório de Vertigem da Infância do Hospital das Clínicas da USP. “Os médicos também têm dificuldade no diagnóstico.”

O professor de Otologia e Otoneurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Fernando Ganança explica que há cerca de 300 causas para labirintite entre adultos, nas crianças são basicamente duas: inflamação no ouvido, que provoca o acúmulo de líquidos na tuba auditiva (canal que liga o ouvido ao nariz), e vertigem paroxística benigna da infância, que pode provocar as tonturas e o mal estar. O professor da Unifesp diz que essa última causa se agrava com o consumo excessivo de açúcar e pode levar a crises de enxaqueca.

Tratamento

O tratamento pode ser feito com medicamentos. Mas uma série de exercícios físicos resolve o problema. Chamado de reabilitação vestibular, esse protocolo tem como objetivo “treinar” os órgãos do ouvido responsáveis pelo equilíbrio. Durante cerca de três meses, duas vezes ao dia, as crianças realizam os exercícios, que estimulam as conexões responsáveis pela a visão, pelo movimento e pelo equilíbrio. “A taxa de sucesso supera os 80%”, diz Medeiros, que já tratou cerca de 200 crianças do HC com o método, entre elas a filha de Joelma, que está curada. “Hoje ela está bem melhor”, diz a mãe. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

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