Apesar de protestos de estudantes, reitor da UnB diz que não deixará cargo

BRASÍLIA - O reitor da Universidade de Brasília (UnB), Thimoty Mulholland, afirmou por meio de sua assessoria que não pretende deixar o cargo diante de protestos dos estudantes nesta quinta-feira. Cerca de 300 alunos ocupam o prédio da reitoria e reivindicam a saída do reitor, do vice-reitor e a substituição do corpo administrativo da universidade.

Caroll Andrade e Sarah Barros- Santafé Idéias |

Segundo a assessora Dóris de Faria, a UnB estaria absolutamente aberta a dialogar com os alunos. Neste momento, estamos aguardando uma lista de reivindicação que os alunos estão finalizando para podermos sentar com eles e tentar resolver da melhor forma possível esse episódio, declarou. Ela disse também que o objetivo da declaração é tranqüilizar toda a comunidade, os professores e os pais de alunos. A universidade vai encaminhar a solução deste episódio, reiterou.

Sobre a possibilidade de Thimoty ceder diante do protesto, Dóris declarou que ele não pretende deixar o cargo já que não existiria nenhuma acusação e nenhum processo contra ele. O reitor foi eleito com o maior percentual de toda a história da universidade. Não se tira reitor assim, destacou. Dóris informou ainda que o reitor acompanha toda a manifestação por meio de seus assessores. Se houver civilidade, a coisa vai certamente se resolver da melhor forma possível, repetiu.

Manifestação

Sessenta estudantes ainda estão dentro do gabinete do reitor. Até o momento, ninguém da administração da universidade compareceu ao local para dialogar com os estudantes. A assessoria da universidade informou que a Polícia Federal fará a negociação com os estudantes para que desocupem o prédio. Pelo menos 20 policiais federais estão no local e esperam reforço.

Um dos delegados responsáveis pela negociação, que não se identificou, afirmou que o objetivo da polícia é contornar a situação. Na sua avaliação, a manifestação deve durar pelo menos até o início da noite diante da exaltação dos ânimos dos alunos. Do lado de fora da universidade, também há carros da Polícia Militar, que não podem entrar no campus por se tratar de uma instituição federal.

Reivindicações

Na pauta, os estudantes reivindicam eleições paritárias, novas eleições para cargos de direção da UnB e a saída do reitor. O coordenador-geral do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UnB, Fábio Félix, falou que a idéia é provocar o afastamento imediato do reitor, do vice-reitor, Edgar Nobuo Mamiya, e a destituição do atual conselho da UnB. Queremos ainda democracia nas próximas eleições da reitoria, o que significa paridade (igualdade de representação) nos conselhos participativo e deliberativo da universidade, declarou.

Félix defendeu também o fim das fundações de direito privado. Essa fundações abrem precedentes e mecanismos jurídicos para que haja este tipo de manobra de gastos como aconteceu com o reitor, disse.

"É uma ocupação de indignação com a situação da UnB", afirmou Adriano Dias, do DCE. "O reitor nunca recebeu a gente para negociar", contou.

Segundo Adriano Dias, o reitor não estava no local. Os funcionários do prédio ocupado já deixaram o local. Os estudantes também usam faixas com os dizeres Fora já Thimoty e fundações e Nossa educação na lixeira não no protesto, além de palavras de ordem como Eu ocupei a reitoria. Educação não é mercadoria.

Apoio

Representantes do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes) compareceram à manifestação para dar apoio aos estudantes da UnB. De acordo com o diretor regional no Rio de Janeiro, Paulo Cresciulo, o protesto deve ser levado em conta como ato político. Os estudantes estão atentos. A pauta de reivindicações diz respeito à melhoria para os estudantes e para as universidades, declarou.

Ele também avalia ser promíscua a relação da universidade com fundações privadas. Esta relação serve apenas para burlar o sistema de licitação, apontou. Ele estava acompanhado do diretor regional em Belém (PA), Arnóbio Tocantins Neto.

Alguns professores da universidade acompanham as manifestações, mas não querem se pronunciar. O procurador-geral da UnB, José Weber Holanda Alves, também acompanha o protesto sem se pronunciar.

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