Apesar de indicado, senador Valadares desiste de presidir Conselho de Ética

BRASÍLIA - O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) pediu nesta quarta-feira ao líder do bloco de apoio ao governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), para sair da composição do Conselho de Ética do Senado. Valadares era cotado para assumir a presidência do colegiado, mas enfrentava resistência do PMDB, que articula a indicação do senador Paulo Duque (PMDB-RJ) para a função.

Carol Pires, repórter em Brasília |

Agência Brasil
Senador Valadares pede para sair

Senador Valadares pede para sair

O presidente do Conselho de Ética tem a prerrogativa de rejeitar sumariamente as denúncias e representações que chegam à comissão. Assim, a estratégia do PMDB é colocar um aliado no cargo para minar um eventual processo contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). 

Antônio Carlos Valadares é um senador alinhado com as orientações do governo, mas, como a base aliada contrariou as ordens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, por mais de uma vez, pediu a renúncia de Sarney da presidência do Senado, o PMDB não abriu mão de requerer a  vaga para si.

Decisão consensual

Em carta enviada a Mercadante, o senador Antônio Carlos Valadares afirma que o mais adequado, "neste momento em que a crise se abateu sobre o Senado, seria a indicação de um presidente por decisão consensual, com o objetivo de que os trabalhos possam ser coordenados dentro de um ambiente de respeito e confiança entre seus integrantes. 

Cheguei a pensar que meu nome poderia alcançar o consenso tão esperado para presidir o Conselho de Ética, mas isso não aconteceu, apesar do meu empenho sincero e o de tantos outros líderes, diz Valadares, afirmando que sua decisão é irrevogável. 

Conselho parado

O Conselho de Ética do Senado está inoperante desde março deste ano, mas teve sua nova composição aprovada nesta terça-feira, no plenário do Senado. Os conselheiros terão a missão de analisar três denúncias e duas representações apresentadas contra o presidente do Senado Federal, José Sarney. 

As denúncias, apresentadas pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), questionam a responsabilidade de Sarney na edição de 663 atos secretos, e também seu envolvimento no suposto esquema de desvio de dinheiro doado pela Petrobras pela Fundação José Sarney. 

As representações do Psol acusam o ex-presidente Renan Calheiros e o atual, José Sarney, de responsabilidade na edição dos atos secretos que foram usados pela administração do Senado para contratar parentes de senadores e aumentar rendimentos de funcionários sem conhecimento público

Nesta terça-feira, a base aliada ao governo não compareceu à reunião marcada para eleição do presidente do Conselho de Ética por causa do impasse entre PT e PMDB na indicação do senador que ocupará a coordenação dos trabalhos. Nesta quarta-feira, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a reunião pode ser remarcada para esta tarde, mas nada foi confirmado oficialmente

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