Apesar de atrasos em obras, governo amplia recursos no PAC para R$ 646 bi até 2010

BRASÍLIA - Os recursos para o desenvolvimento dos projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal até 2010 serão ampliados em R$ 142,1 bilhões, atingindo R$ 646 bilhões. A informação foi divulgada, nesta quarta-feira, pelos ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e Dilma Rousseff (Casa Civil), durante balanço do 2º ano do programa.

Severino Motta e Carollina Andrade, da Santafé |

AE
Ministros Paulo Bernardo, Dilma Rousseff e Guido Mantega em balanço do PAC
Ministros Paulo Bernardo, Dilma Rousseff e Guido Mantega em balanço do PAC

O aumento foi anunciado, apesar de o ritmo de execução do PAC , principal bandeira do governo para aliviar os efeitos da crise mundial na economia brasileira, estar longe de atender as carências do País. Levantamento feito pelo Grupo Estado, com 75 projetos de logística (portos, ferrovias, rodovias e aeroportos), energia (energia elétrica, transmissão e gás natural) e transporte urbano, mostra que 62% dos empreendimentos estão com o cronograma atrasado.

Segundo levantamento do governo, o número de obras e ações monitoradas pelo PAC subiu de 2.198 para 2.398. O próprio governo admite que, em dois anos de programa, apenas 11% dessas ações conseguiram ser concluídas, mas ressalta que a maioria (83%) das ações no âmbito do PAC está em situação considerada adequada.

"O PAC é produto da força de carne e osso das pessoas e é expressado em concreto, aço e outros produtos utilizados nas obras", rebateu a ministra Dilma sobre as críticas de que o PAC seria uma mera lista de obras que estariam ficando só no papel.

A ministra Dilma ressaltou ainda que o governo pretende antecipar a realização de obras do PAC  como uma das medidas para enfrentar os efeitos da crise econômica internacional no Brasil. "Nos importa antecipar obras e garantir um ritmo mais acelerado para enfrentarmos a crise", disse. "O PAC tem um claro viés anticíclico e tem condições de sustentar um patamar de crescimento maior mesmo com a desaceleração provocada pela crise", disse.

Dilma fala sobre o PAC; assista

Divisão dos recursos

De acordo com o governo, a divisão dos novos recursos anunciados, nesta quarta-feira, será feita da seguinte maneira: a área de infraestrutura social e urbana ficará com R$ 84,2 bilhões, seguida por projetos de logística, que receberão R$ 37,7 bilhões, e o setor energia, que terá R$ 20,2 bilhões.

Ainda segundo o governo, os recursos para obras que vão além de 2010 foram ampliados em R$ 313 bilhões, passando a R$ 502,2 bilhões. Desse modo, os recursos totais do PAC, criado há dois anos, aumentaram para R$ 1,148 trilhão.

No balanço consta que, no ano de 2008, existiu uma dotação orçamentária de R$ 18,9 bilhões para o PAC. Deste montante, R$ 17 bilhões foram empenhados e R$ 11,4 bilhões foram pagos, sendo que R$ 7,6 bilhões corresponderam aos restos a pagar de 2007. Em comparação com o ano anterior, os valores pagos em 2008 cresceram 55%.

PIB 2009

Durante a apresentação, Mantega afirmou também que a expectativa do governo é de que o PAC represente 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. Em 2006, antes do PAC, os investimentos do governo federal em infraestrutura representavam 0,64%. Em 2007, primeiro ano do PAC, o percentual subiu para 0,73% e, no ano passado, alcançou a marca de 1%.

Mantega declarou ainda que a expectativa é de que investimentos da Petrobras representem 1,4% do PIB em 2009. Entre 2006 e 2008, o índice passou de 0,76% do PIB para 1,1%.

O aumento na aplicação de recursos ajudou o PIB a crescer 2,7%, em 2006, e 5,4%, em 2007. Até o terceiro trimestre de 2008, o PIB cresceu 6,4% comparado ao mesmo período do ano anterior.

(*com informações da Agência Estado e Reuters)

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