BRASÍLIA - Cinco anos depois da chegada de equipamentos de altíssima tecnologia no Hospital Universitário de Brasília, Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Distrito Federal continua sem oferecer radioterapia aos doentes de câncer. Nos últimos anos, foram gastos R$ 5 milhões para construir o centro. Os aparelhos chegaram no início de 2005. E ficaram encaixotados desde então. Após meia década de muita briga jurídica, o local foi inaugurado no último mês de agosto. Inaugurado, no entanto, sem que o principal equipamento estivesse em operação.

Como consequência, os pacientes que procuram a radioterapia dão com a cara na porta e são encaminhados de volta ao Hospital de Base. Quando tudo estiver funcionando, o centro será o mais moderno e completo do DF, mas, por enquanto, minhas pacientes não conseguem se tratar aqui, observa Maria de Fátima Brito Vogt, mastologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Só em equipamentos, foram gastos pelo governo federal R$ 2,6 milhões. E, justamente o mais caro deles, o de Teleterapia, não está em operação. Comprado por R$ 1,62 milhão, ele serve para o combate a tumores com radiação direta e desenvolve menos efeitos colaterais ao paciente do que a radioterapia normalmente feita.

De acordo com a assessoria de imprensa do HUB, ainda faltam avaliações técnicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem) e da Secretaria de Vigilância Sanitária do DF. Ambas as vistorias não têm data marcada. A assessoria destaca, no entanto, que estão sendo feitas terapias de quimio e também aplicações na braqueoterapia, um equipamento que serve para tratar alguns tipos específicos de câncer, principalmente, em mulheres. 

Sem radioterapia

O médico queria me mandar para o HUB, mas não tinha previsão de atendimento na radioterapia. Sorte que eu consegui atendimento no plano de saúde, conta Leila Barroso que trata um linforma. Esperei dois meses e comecei o tratamento. Parece pouco, mas dois meses em se tratando de câncer é muito tempo, lamenta.

Leila não está sozinha. Todos os anos, 3,5 mil pessoas precisam fazer radioterapia na rede pública do Distrito Federal. O número equivale a 80% de todos os pacientes diagnosticados com câncer na capital do País. Atualmente, o Hospital de Base é a única unidade de saúde gratuita a oferecer radioterapia, mas não são raras as vezes que os atendimentos são adiados por peças quebradas já que o equipamento está sobrecarregado. Com isso, as pessoas são mandadas para hospitais de Anápolis, Goiânia e até Barretos a um custo de mais de R$ 20 mil por doente. Isso sem falar nos transtornos pessoais, incalculáveis.

A polêmica dos equipamentos de última geração usados no tratamento de câncer se arrasta há anos. As obras do Cacon foram suspensas em janeiro de 2006 por problemas com a empreiteira responsável pelo prédio. Na ocasião, já fazia mais de um ano que os equipamentos estavam armazenados. A construção só foi retomada quase dois anos depois, e as máquinas de tratamento de câncer permaneceram guardadas em um bunker climatizado, bem ao lado da obra abandonada. No ano passado, parte dos equipamentos chegou a ser instalada no Hospital de Base, mas acabou voltando para o hospital da UnB.

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