Um aparelho americano, recém-lançado no País, pode diminuir as chances de um paciente sofrer ataque cardíaco fulminante. Instalado abaixo da clavícula e com eletrodos no coração, o Angelmed Guardian, ou simplesmente Guardian (guardião, em inglês), detecta com 10 a 12 horas de antecedência a ocorrência de enfarte ou angina antes dos primeiros sintomas (dores no peito), o que dá tempo para evitar a pane cardíaca.

O primeiro implante do aparelho em um brasileiro foi feito na segunda-feira da semana passada, em um lavrador de 77 anos.

O aparelho já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), funciona 24 horas por dia e custa de R$ 50 mil e R$ 60 mil. É indicado para pacientes que sofrem ou com alto risco de sofrer doenças cardíacas. Segundo o diretor da clínica de Ritmologia Cardíaca da Beneficência Portuguesa, Silas Galvão, estudos feitos no Brasil revelaram que o Guardian tem grau de eficácia de 90%. “Entre 8% e 10% dos casos, o aparelho alertou sem a ocorrência de problemas cardiológicos.”

O Guardian é implantado abaixo da clavícula do lado esquerdo. De lá, um cabo segue, por uma veia dissecada, até a veia cava superior, chegando ao coração. Dois pequenos eletrodos, então, detectam, por meio de variações nos impulsos elétricos, falta de oxigênio no coração, o primeiro passo para a isquemia, que pode levar ao enfarte.

Ocorrendo isso, os eletrodos emitem um sinal. Numa das versões, ele vibra (como um telefone celular), avisando o portador que algo está errado. Em outra versão, o alerta é dado por um bipe, que vai preso na cintura do paciente. “Dá tempo para o indivíduo aumentar a dose do medicamento ou ir até um hospital e ser atendido com mais tempo e menos risco”, diz Galvão.

Mortes

Segundo ele, o Guardian é parecido com um marca-passo e funciona como um eletrocardiograma. “O eletro capta os sinais quando chegam à superfície do corpo”, diz. “Esse aparelho, por estar dentro do coração, é mais sensível.” Dessa forma, ele detecta, com até 12 horas de antecedência, os primeiros sintomas de isquemia. Quando ela ocorre, o paciente sente dor no peito. No ápice, o músculo morre e ocorre o enfarte. “O aparelho previne a isquemia e, principalmente, minimiza a chance da ocorrência de morte súbita por arritmia”, diz Galvão, acrescentando que, metade das mortes por doenças coronarianas ocorre dessa forma. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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