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Aparecido disse que Erenice Guerra preparou o dossiê, afirma André Fernandes

BRASÍLIA - O assessor parlamentar André Fernandes, que depõe nesta terça-feira na CPI mista dos Cartões Corporativos, afirmou que José Aparecido, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, confidenciou para ele que foi Erenice Guerra, secretária executiva da Casa Civil, a pessoa que preparou o dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. Ele ainda sugeriu que se fizesse uma http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/05/20/andre_fernandes_pede_para_depor_sem_jornalistas_na_cpi_para_revelar_cinco_segredos_1319826.htmlsessão sigilosa para revelar cinco segredos. Acompanhe o depoimento ao lado.

Rodrigo Ledo e Severino Motta, do Último Segundo |

De acordo com o assessor, ele encontrou com José Aparecido em um almoço no Clube Naval, e Aparecido reclamou com ele da divulgação do dossiê na imprensa e "ele só falava para mim que foi a Erenice que preparou uma planilha de gastos seletivos do governo anterior".

André Fernandes declarou que recebeu como uma intimidação o e-mail com dados sobre gastos do governo enviado por José Aparecido. No início das perguntas do relator, o deputado federal Luiz Sérgio (PT-RJ), Fernandes foi pressionado a esclarecer os motivos da troca de mensagens com Aparecido, já que não tinham boas relações.

Eu não pedi para receber, e interpretei claramente como uma intimidação ao partido (PSDB), e comuniquei a uma autoridade superior [o senador Álvaro Dias], contou André Fernandes, que havia afirmado, antes, que o e-mail de Aparecido tinha sido uma resposta a uma mensagem coletiva que havia mandado a amigos, sem nenhuma importância.

Nos minutos iniciais do depoimento, André Fernandes fez uma cronologia sobre matérias na imprensa a respeito do suposto dossiê feito na Casa Civil para intimidar a oposição e, depois, as datas de troca de e-mails com José Aparecido Pires. Segundo André, como a mensagem com a planilha de gastos (suposto dossiê) foi recebida logo após divulgações sobre a ofensiva do governo, interpretou como uma ameaça do então secretário da Casa Civil.

O relator Luiz Sérgio questionou o motivo de Fernandes enviar e-mails para Aparecido, se declarou em depoimentos na Polícia Federal que tinham deixado de ser amigos em 2004, quando o depoente passou a trabalhar com o PSDB e teve um diálogo constrangedor com o amigo, que já trabalhava no governo. Eu tenho coração de manteiga, o problema é esse, disse André Fernandes.

Os parlamentares governistas aumentaram a pressão sobre o depoente ao citar a participação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) no caso. O deputado federal Manato (PDT-ES), por exemplo, perguntou insistentemente, de várias formas, se André tinha recomendado a Álvaro Dias em como divulgar o dossiê, ou como o parlamentar tucano havia planejado passar o material à imprensa, de forma a vazar dados oficias com fins políticos.

O depoente disse que não sabia dessa iniciativa do senador, porque só havia dado conhecimento da planilha com o dossiê, mas o próprio Álvaro Dias se defendeu de forma contundente. Ele disse que notas e matérias na imprensa anteriores a suas declarações sobre o dossiê comprovam que não foi ele quem divulgou em primeira mão os dados.

Usar grosseiramente a expressão delator é algo que tem que ser repudiado com veemência, porque cumpro o papel de oposição com lealdade. Denunciar quem toma conhecimento de um crime é uma inversão de valores. Vaza informações que trabalha no Palácio do Planalto e se encarrega de fazer um dossiê, utilizando a máquina pública para intimidar a oposição e confundir a opinião pública, discursou Álvaro Dias.

Antes do início do relato de Fernandes, a CPI ficou em sessão secreta por mais de uma hora, durante a qual foram lidos aos parlamentares os depoimentos prestados à Polícia Federal pelo assessor e por Aparecido.

O senador Jefferson Péres (PDT-AM), que participou da reunião, considera que vai ser inevitável uma acareação entre os dois. De acordo com ele, existem contradições nos depoimentos que foram prestados à Polícia Federal (PF).

Fernandes e o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Freire são apontados como responsáveis pelo vazamento das informações da Casa Civil, com as quais acabou sendo montado um dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos. Erenice Guerra é secretária da Casa Civil e já havia sido apontada com suspeita que montar o dossiê. 

José Aparecido ainda prestará depoimento nesta terça-feira e será protegido por um habeas-corpus. Com isso, ele não poderá ser preso durante as explicações e não precisará firmar compromisso legal como testemunha. Ele já foi indiciado pela Policia Federal por violação de sigilo funcional.

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