BRASÍLIA - Um grupo de cerca de 25 estudantes de um movimento intitulado Coletivo Independente de Manifestações e Ativismo (Cima) fez um protesto na tarde desta quinta-feira no Senado contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Ao menos nove deles foram reprimidos com truculência pela Polícia Legislativa. Enquanto eram encaminhados para a sala de segurança, os estudantes cantaram o hino nacional.


Após quase três horas detidos, todos foram liberados -- entre eles dois menores de idade. Um servidor da Câmara dos Deputados estava entre os manifestantes. Não havia servidores do Senado entre os participantes do protesto.

O pai de uma menor que foi detida defendeu a filha: "Eu congratulo a minha filha. Brasília é uma cidade política e não dos políticos. Todo cidadão deve se comportar desta forma [se manifestar]".

O tumulto começou quando foram estendidos cartazes feitos em papel cartão com os dizeres Fora Sarney. Este é o mesmo grupo que nesta semana tentou entregar pizzas  para o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), mas foi barrado antes de entrar no Congresso.


Estudantes fazem manifestação pela saída do senador José Sarney
Foto: José Cruz/ABr

Pouco antes de serem agarrados pela Polícia do Senado, os estudantes ecoaram frases contra Sarney e outros senadores. Estudante não pode entrar aqui e vai preso, mas os ladrões que roubam milhões ficam impunes, bradavam.

A Polícia do Senado não disse que tipo de punição pode ser aplicada contra os manifestantes. Especula-se que, devido a alguns deles terem usado crachás antigos da Câmara para se infiltrar no Senado, o crime de falsidade ideológica pode ser caracterizado.

Para justificar a detenção, a polícia afirmou que houve "perturbação da ordem".

Polícia Legislativa do Senado reprime o protesto de estudantes
José Cruz/Agência Brasil


Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), José Nery (PSol-PA) e Cristovam Buarque (PDT-DF) se dirigiram ao local para tentar falar com a polícia ou com os estudantes. Suplicy disse também que vai propor ao presidente do Senado, José Sarney, que haja a liberdade de manifestação na Casa Legislativa.

Enquanto era levado para a polícia, um dos manifestantes disse: "Isso aqui é Ditadura". O segurança que estava com ele respondeu: "É Ditadura, sim", e agrediu o rapaz.

Apesar da detenção os estudantes garantiram que não vão parar de invadir o Senado e promover manifestações. Vamos continuar com estes atos secretos populares, diziam.

Contra a polícia

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) defendeu na noite desta quinta-feira que a chefia da polícia do Senado Federal fosse demitida. Eu deploro que a Casa esteja virando uma delegacia de polícia, completou.

O tucano condenou a agressividade policial para lidar com a situação e afirmou que a ação foi uma amostra da fragilidade da administração do senador [José] Sarney.

Preparação

Durante a preparação para o protesto alguns estudantes foram barrados e não conseguiram entrar no Congresso. A reportagem acompanhou pelo menos um dos manifestantes ser barrado quando estava saindo do elevador que leva para o andar do plenário.

As pessoas que foram detidas conseguiram chegar ao saguão através da Câmara dos Deputados, já que o Senado está fechado para visitações com o pretexto da "gripe suína".

Cientes da manifestação, a segurança da Casa havia passado um comunicado geral para os funcionários, que cobraram de forma não usual o credenciamento de todos os jovens que tentavam entrar no Senado.


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