Ao menos 170 áreas do Rio são dominadas por milícias, diz CPI

RIO DE JANEIRO - O relatório da CPI das milícias na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, que será divulgado oficialmente nesta sexta-feira, vai revelar que pelo menos 170 áreas do Estado do Rio de Janeiro, a maioria na capital, são dominadas por milicianos.

Reuters |

O documento votado e aprovado nesta quinta-feira denuncia 150 pessoas, entre políticos, policiais civis e militares, ex-policiais, bombeiros, agentes penitenciários e outros.

As denúncias serão encaminhadas ao Ministério Público, Tribunal Regional Eleitoral, Ministério Público eleitoral, Justiça Eleitoral, Polícia Civil e Polícia Federal na próxima semana.

A maioria dos denunciados é acusada de crimes como formação de quadrilha armada, homicídios e crime eleitoral.

"Tenho a percepção de que as milícias são mais perigosas e danosas para o Estado Democrático de Direito. Elas são mais organizadas que o tráfico de varejo, que não tem capacidade de articulação. A milícia se infiltra na política e no poder público", declarou à Reuters o presidente da CPI das milícias, deputado Marcelo Freixo (PSOL).

As milícias são grupos paramilitares, geralmente organizadas por policiais ativos e inativos, bombeiros, agentes penitenciários e até traficantes de drogas. Elas costumam cobrar uma mensalidade dos moradores das comunidades onde atuam para fornecer uma suposta segurança.

Entre os denunciados de envolvimento com as milícias estão o ex-chefe da polícia civil do Rio e deputado cassado Álvaro Lins; o deputado Natalino Guimarães; o irmão dele, o vereador Jerônimo Guimarães e o deputado Nadinho da Favela Rio das Pedras. Também foram citados na denúncia as vereadoras eleitas este ano Carminha Guimarães e Cristina Girão, ambas da favela Gardênia Azul. A maioria dos políticos denunciados já está presa.

Segundo a CPI, as milícias se concentram principalmente na zona oeste da capital, região dominada pela família Guimarães, que comanda a milícia conhecida como Liga da Justiça. "Essa é a mais organizada, com mais poder e penetração no poder público", disse Freixo.

O ex-PM Ricardo Cruz, o Batman, que fugiu no mês passado do presídio Bangu 8 pela porta da frente, também é um dos denunciados pela Comissão Parlamentar de Inquérito. Ele atua para a milícia Liga da Justiça.

"As milícias aumentaram muito no governo passado (da ex-governadora Rosinha Mateus). Elas vinham em um crescente, mas com a política de enfrentamento do poder público elas estão começando a perder espaço, dinheiro e poder", afirmou Freixo, que iniciou a luta contra o crime organizado em 2003, quando teve um irmão assassinado.

Desde então ele vive cercado de seguranças e já recebeu algumas ameaças de morte. "Se não for para combater o crime, não vale a pena ter mandato de deputado", destacou.

Antes das eleições municipais deste ano, a polícia do Rio e as Forças Armadas realizaram na cidade operações de combate aos currais eleitorais e estiveram em cerca de 30 comunidades do Estado, onde milicianos impediam a livre circulação de candidatos a vereador e jornalistas. Moradores destas comunidades também denunciavam que eram orientados a votar no candidato da milícia sob pena de represálias.

    Leia tudo sobre: cpi

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG