A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou ontem a suspensão de vistorias sanitárias em fábricas de produtos para a saúde no México. A medida, segundo o órgão, é uma resposta à detenção, durante o fim de semana, de dois fiscais do órgão regulador na cidade de Reynosa, município de 526 mil habitantes na fronteira com os Estados Unidos.

Os funcionários pretendiam fazer uma avaliação das condições de uma fábrica de produtos cirúrgicos na cidade.

Autoridades mexicanas teriam alegado que os dois brasileiros portariam passaportes falsos, o que a agência nega veementemente. Segundo a Anvisa, os funcionários foram mantidos sem comunicação por 24 horas, em cela com presos comuns. Procurada, a embaixada mexicana em Brasília informou que só deve se manifestar hoje.

A inspeção em fábricas localizadas fora do Brasil está prevista para a obtenção do certificado de Boas Práticas de Fabricação, necessário para quem quer fornecer produtos ao País. Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, as 20 avaliações de indústrias no México, previstas para este ano, não ocorrerão até que o governo mexicano garanta que o incidente não se repetirá. Mello relata que os funcionários já tinham apresentado os passaportes funcionais ao chegar à Cidade do México e recebido liberação para entrar no país.

Ao chegar ao aeroporto de Reynosa, porém, os agentes foram novamente interpelados pelas autoridades e detidos sob alegação de que os documentos de viagem seriam falsos. Ficaram um dia sem poder se comunicar com ninguém, até que um policial permitiu que um dos funcionários ligasse para a esposa e ela avisou a Anvisa. Ambos já estavam livres ontem e seguiam para o Brasil, mas, segundo Mello, um deles mal conseguia falar por estar em “estado de choque”. Ele não soube informar se os fiscais sofreram algum tipo de violência física.

“Quero crer que o problema foi com a polícia local”, disse Raposo de Mello, que destacou que as autoridades sanitárias mexicanas tinham sido avisadas da visita. “Independentemente do pedido de desculpas, queremos que o governo mexicano garanta que isso não se repetirá”, disse Mello. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE

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