Anvisa suspende propaganda de medicamento

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu ontem a veiculação de material publicitário que promovia o uso do medicamento Avastin no tratamento de câncer de pulmão. No Brasil, o medicamento foi aprovado pela agência apenas para o tratamento de câncer colorretal.

Agência Estado |

Um encarte enviado para médicos pela indústria farmacêutica Roche, responsável pelo produto, motivou a Resolução Nº 1.622/09, que instituiu a proibição.

O material traz uma pesquisa apresentada no simpósio satélite organizado pela Roche durante o 33º Encontro da Sociedade Europeia para Oncologia Médica (Esmo 2008).

O estudo, assinado por Martin Reck, do Hospital Grosshansdorf, na Alemanha, conclui: "Bevacizumabe (princípio ativo do Avastin) é novo padrão na primeira linha de tratamento do câncer de pulmão (do tipo) não pequenas células e não escamoso".

A Roche afirma por nota que o encarte reproduz fielmente a palestra dada pelo pesquisador no Congresso e obedece a Resolução Nº 102/00 que regula a propaganda de medicamentos no Brasil. "Não poderíamos fazer nenhuma alteração (no material) sob pena de interferir na imparcialidade do conteúdo", argumenta o comunicado da empresa.

REFERÊNCIAS
A resolução publicada ontem afirma que o encarte promocional veicula "referências bibliográficas incompletas, tabelas, gráficos e demais informações distorcidas, fragmentadas, e que não condizem com os estudos científicos publicados".

"As referências devem ser completas e claras para permitir que os médicos confiram as informações", considera Maria José Delgado Fagundes, gerente de propaganda da Anvisa.

A nota da Roche afirma que "não é política do laboratório reproduzir ou apresentar estudos fragmentados, distorcidos ou manipulados aos especialistas médicos - nem tampouco a nenhum outro público".

O texto também sublinha que o uso do medicamento no tratamento de câncer de pulmão já foi aprovado na União Europeia e nos Estados Unidos.

"O processo administrativo para julgar se houve infração sanitária continua", afirma Maria José.

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