Anvisa libera PET reciclado para alimento e bebida

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou recentemente o uso de plástico do tipo PET reciclado para embalar alimentos e bebidas com o argumento de que novas tecnologias permitem a descontaminação do material e eliminam riscos à saúde. A resolução, publicada em março, tem sido apontada como possível solução para o volume de plástico que entope aterros sanitários do País ou para garrafas PET que hoje são simplesmente descartadas em rios, córregos e terrenos baldios.

Agência Estado |

O gerente de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Anvisa, Lucas Dantas, explica que antes o PET reciclado era proibido por causa do risco de contaminação. Como o plástico é um material poroso, poderia absorver substâncias nocivas à saúde quando em contato com elas nos lixões. Mas o surgimento de novas tecnologias, como a chamada “bottle to bottle”, tornou possível a descontaminação do material, independentemente do sistema de coleta. “Recebemos, até o momento, pedidos de autorização de quatro indústrias recicladoras, que ainda estão sendo analisados”, conta.

Segundo Dantas há uma série de exigências a ser cumprida para que seja concedida a autorização. Uma das condições é que a recicladora já tenha o aval do FDA, órgão regulador de alimentos e bebidas dos Estados Unidos, ou de uma agência similar na União Européia. Além disso, o rótulo deverá conter informações que permitam rastrear o produtor em caso de problema.

O professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp) Carlos Anjos, especialista na área de embalagens, afirma que a tecnologia é segura e capaz de produzir embalagens com a mesma qualidade daquelas fabricadas com resina virgem. Ele explica que, além das etapas tradicionais da reciclagem, no método “bottle to bottle” as embalagens passam por um processo de descontaminação química e por uma repolimerização, que consiste em submeter o material a temperaturas superiores a 270°C por aproximadamente 20 horas. Isso recupera as propriedades originais da resina. “Mas o custo desse processo é elevado e, por isso, poucas empresas no País têm acesso”, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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