Quase dois meses após a proibição do medicamento Prexige 100 mg, o governo federal quer fechar o cerco a outros antiinflamatórios do mesmo grupo e usados para o controle da dor. Em reunião entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), representantes dos laboratórios e médicos, semana passada, foi acordado que ações precisam ser tomadas para coibir a coleção de efeitos colaterais provocados pelas medicações, que passam de 1.

200 registros no País.

Muitos pedidos foram enviados para a avaliação da diretoria colegiada da Anvisa. Um deles, que deve ser aprovado, segundo a agência, é a modificação das bulas desses remédios sem esteróides (chamados coxibes), ressaltando as possíveis complicações hepáticas e renais potencializadas pelo uso dos produtos. Nos próximos dias, deve ser definido que as embalagens devem contemplar a mensagem de alerta sobre essa contra-indicação.

Não está descartada também a possibilidade de interdição cautelar de todos os antiinflamatórios coxibes, remédios top de linha nas vendas brasileiras. Entre eles, está o Arcoxia, líder de comercialização e fabricado pelo laboratório Merck Sharp, que já provocou ao menos 26 queixas graves em pacientes brasileiros, sendo quatro referentes a problemas cardíacos. A fabricante informou que não vai se pronunciar até a divulgação oficial das mudanças e que “confia na eficácia e segurança do produto”, presente em 67 países.

Para resultar na proibição do Prexige de 100 mg e na interdição por 90 dias da apresentação em 400 mg, foram necessárias 1.235 notificações de efeitos colaterais.

Em outros 30 países, o remédio já havia sido vetado há um ano. No Brasil, a comercialização continuou vigente até 22 de julho, quando o governo decidiu pela proibição. Nos Estados Unidos, por exemplo, todos os medicamentos do grupo coxibe foram barrados. O posicionamento contrário é adotado nesse país desde que o registro do Vioxx (também da família coxibe) foi cassado, em 2004, por causa das complicações atribuídas ao uso freqüente do remédio. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.