O gerente-geral de Tecnologias de Serviços de Saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Heder Borba, disse ontem que hospitais deverão realizar busca ativa de casos de infecção hospitalar por micobactérias durante três meses após cirurgias plásticas e laparoscopias (cirurgias menos invasivas, feitas por meio de pequenas perfurações na pele). As bactérias, que causam feridas de difícil cicatrização e nódulos, têm atingido principalmente pacientes que passaram por esses tipos de operação.

O gerente defendeu ainda que hospitais privados e planos de saúde ajudem o governo a pagar o tratamento de vítimas - as unidades privadas são as que mais registraram casos. “Se 80% dos casos são na rede privada, não é justo que todo o ônus seja para o Sistema Único de Saúde.” Desde 2000, 2.032 casos de infecções pelas micobactérias de crescimento rápido foram registrados no Brasil, a maioria deles concentrada entre 2007 e 2008. No entanto, muitos pacientes ainda estão em acompanhamento e só neste ano o governo gastou pelo menos R$ 4 milhões em medicamentos - o tratamento pode demorar dois anos.

A Anvisa também confirmou ontem que deverá suspender o uso do glutaraldeído e outros tipos de produtos líquidos-químicos para a desinfecção de materiais usados nos dois tipos de operação. Em seu lugar, terão de ser utilizados métodos como a esterilização por autoclave (por calor). Todas as medidas de impacto prometidas, no entanto, ainda dependem de aval da diretoria da agência e/ou negociações com outros órgãos. As promessas foram anunciadas depois de uma reunião promovida anteontem em Brasília pela agência com cerca de 20 especialistas.

A Associação Brasileira de Indústrias de Produtos de Limpeza destacou que a decisão da suspensão do glutaraldeído e outros desinfetantes deverá considerar o prazo necessário para a validação de método que certifique a eficácia dos produtos contra as micobactérias da epidemia. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

AE

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