A indústria e importadoras de suplementos alimentadores voltados para praticantes de atividade física foram alertados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre as constantes irregularidades encontradas nestes produtos. Os mais comum deles tratam do uso de expressões como queima de gordura e aumento da massa muscular, que não podem constar no rótulo.

A Anvisa reforçou ainda às empresas sobre a proibição de produtos que não podem ser comercializados no País por não possuírem registro, como a creatina, carnitina, ß-hidroxi ß-metilbutirato (HMB), arginina, ornitina e óxido nítrico.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária (Imbravisa), Rui Dammenhaim, o grande apelo por um corpo perfeito leva as pessoas a procurarem cada vez mais este tipo de produto: "além do mais, os alimentos para praticantes de atividade física devem ser consumidos preferencialmente sob orientação de nutricionista ou médico, mas a venda se dá livremente, o que certamente coloca em risco a saúde da população".

Suplementos protéicos, por exemplo, quando não são administrados sob orientação médica, podem sobrecarregar o sistema renal e trazer complicações hepáticas, explica Mariana Del Bosco Rodrigues, nutricionista do Departamento de Nutrição da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). "Normalmente uma alimentação saudável e balanceada é o suficiente", diz. "Mas é o médico que analisa quando o paciente precisa de algum tipo de suplemento".

Os chamados "fat burn" (queimadores de gordura), segundo a nutricionista da Abeso, são "propaganda enganosa". "Não existe comprovação científica de que qualquer suplemento tenha essa propriedade de queimar gordura", explica. O consumo sem acompanhamento médico de suplementos também pode prejudicar diabéticos, dependendo do produto, e, em casos de produtos importados com componentes que não são permitidos no País, como a efedrina, trazer sérias complicações cardiovasculares, explica Mariana.

O trabalho apresentado pela Anvisa foi realizado em conjunto com a Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF) e com o Departamento de Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça. O alerta ao setor foi feito durante a I Reunião com Indústrias, Importadoras e Associações de Alimentos para Praticantes de Atividade Física, realizada na última semana de junho em Brasília (DF), e as empresas se comprometeram a adequar seus produtos à legislação sanitária.

AE

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