Anvisa adia decisão sobre venda de emagrecedores

Agência Nacional de Vigilância Sanitária pretende fazer reunião pública, ainda sem data marcada, para decidir se venda será proibida

iG São Paulo |

Durante reunião na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizada nesta quarta-feira, diretores discutiram o Relatório Integrado sobre Eficácia e Segurança dos Medicamentos Inibidores de Apetite e decidiram adiar a decisão sobre a proibição ou não da venda desses medicamentos que diminuem o apetite das pessoas. A intenção, de acordo com a Anvisa, é “mostrar a transparência do processo de tomada de decisão da Anvisa e dar amplo conhecimento ao relatório, que tem cerca de 700 páginas.”

Com isso, a votação deve ocorrer em uma próxima reunião pública, sem data definida por enquanto, com transmissão ao vivo no portal da Anvisa. Segundo o Diretor-Presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, o relatório propõe a retirada do mercado de todos os derivados anfetamínicos e permite a manutenção da sibutramina com diversas restrições sanitárias.

Os técnicos da Anvisa, segundo nota publicada após a reunião de hoje, sugerem a permanência da sibutramina devido a sua comprovada eficácia, que é a perda de 5 a 10% de peso em um período de quatro semanas em pacientes obesos e com o perfil recomendado para o uso do medicamento, que é ter Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30% e não ser portador de cardiopatia diagnosticada.

As demais restrições sanitárias sugeridas para o uso da sibutramina são: uso da medicação apenas em paciente com o perfil indicado; notificação de receita pelo médico; assinatura de um termo de responsabilidade pelo médico, paciente e farmácia de manipulação; avaliação mensal do paciente e notificação compulsória, pelo médico, de reação adversa no paciente.

Conselho Federal de Medicina

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nota nesta quarta-feira e defende que os remédios emagrecedores possam ser usados como auxiliares em tratamentos da obesidade, “sendo que o médico assistente tem a qualificação para agir de forma ética ao prescrever dosagens corretas e evitar excessos”.

Além disso, o Conselho se coloca à disposição da Anvisa para ajudar no desenvolvimento de campanhas educativas que esclareçam pacientes e médicos sobre o uso adequado desses medicamentos e “acredita que em lugar de proibir a comercialização destas substâncias seria recomendável fortalecer os mecanismos de controle de sua venda e realizar ações educativas em larga escala.”

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