Antropóloga destaca como cariocas e alemãs encaram o envelhecimento

O envelhecimento parece ser um drama maior para mulheres do que para os homens - pelo menos eles não demonstram tanta resistência em assumir rugas ou cabelos brancos. Examinando os porquês de tanta relutância em se aceitar a maturidade, em 2007 a antropóloga Mirian Goldenberg, autora do livro Coroas , deu início a um estudo, comparando as cariocas com as alemãs.

Agência Estado |

Os valores culturais saltam aos olhos. Entre as diferenças, está o próprio significado da velhice. Enquanto europeias se preocupam com qualidade de vida, as brasileiras envelhecem apreensivas com a aparência.

Homens e mulheres do Rio responderam a 1.600 questionários, que abordavam várias questões, como os medos, exemplos de pessoas que souberam envelhecer, as maiores preocupações em relação à idade, etc. "Também ouvi mulheres em Salvador e na Argentina, que demonstram semelhanças com relação ao culto à aparência", diz a autora.

Na Alemanha, pessoas de 50, 60 e até de 70, com boa saúde e produtivas, não são consideradas velhas. As mulheres se sentem no auge da vida e saboreiam os ganhos. Se veem e são vistas como extremamente interessantes. No Brasil - e não é muito diferente na Argentina -, o capital é o corpo, a aparência, a juventude. Para as alemãs, capital é sinônimo de qualidade de vida, cultura, trabalho, viagens. Investem mais na casa do que na aparência. As alemãs não sentem medo da solidão. Aqui, tornar-se invisível para os homens é o fim.

As brasileiras falam em liberdade, e as alemãs, em emancipação. "Nos grupos de discussão com brasileiras, o que mais aparece como ganhos da idade é o fato de poderem ser elas mesmas depois de terem cumprido um ciclo como casar, ter filhos, encaminhá-los. Mas, alfinetaram as alemãs, será mesmo preciso esperar até os 50 para ser livre?"

As mesmas mulheres que romperam com as convenções, hoje, estão se debatendo contra o envelhecimento, mas a antropóloga não vê nisso um retrocesso. "A brasileira é livre, economicamente independente, tem muito mais escolhas. Até pode ser prisioneira do mito da juventude, mas há uma crítica nisso tudo, de que não é algo positivo. No fundo, a mulher quer reconhecimento nem que seja através da aparência. As alemãs são mais valorizadas e admiradas do que os homens, e isso as faz fortes e poderosas", conclui Mirian.

Vera Fiori

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