Antonio Banderas é estrela da abertura do festival de San Sebastián

Héctor Llanos Martínez. San Sebastián (Espanha), 18 set (EFE).- O ator espanhol Antonio Banderas foi hoje a estrela do primeiro dia do Festival de Cinema de San Sebastián, através da apresentação do filme The Other Man, de Richard Eyre, e onde o ator receberá amanhã o Prêmio Donostia por uma carreira que, segundo ele, durará ainda muitos anos.

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A competição oficial do festival, um dos mais importantes do mundo junto a Cannes e Veneza, começa amanhã com vários diretores consagrados em disputa, como o britânico Michael Winterbottom, com "Genova", e o coreano Kim Ki-duk, com "Bi-mong (Dream)", além do argentino Daniel Burman, que aspira à Concha de Ouro com "El nido vacío" ("O Ninho Vazio").

"O motor que faz com que me dedique à atuação desde que tinha 12 anos segue funcionando", disse hoje Antonio Banderas, que fez um balanço sobre uma trajetória internacional "na qual não houve grandes decepções".

O ator, de 48 anos, participou hoje de uma coletiva de imprensa na qual afirmou que se sente "cheio de gratidão e um pouco aflito" ao receber um prêmio que já foi conquistado por atores como Fernando Fernán Gómez e Paco Rabal - com os quais trabalhou - e por Gregory Peck e Bette Davis.

O fato de ser Pedro Almodóvar que lhe entregará o prêmio é para Banderas a oportunidade perfeita de celebrar "quase dez anos de colaboração e cinco filmes juntos", disse o protagonista de "The Other Man", filme de Richard Eyre que abriu hoje a seção oficial do festival cinematográfico.

Neste filme, Banderas enfrenta Liam Neeson em um triângulo amoroso formado ainda por Laura Linney, a mulher que planeja de forma ausente a metafórica partida de xadrez que os dois atores jogam ao longo da trama, baseada no relato homônimo de Bernhard Schlink.

Neeson encarna um bem-sucedido empresário que procura em um outro homem - um persuasivo espanhol interpretado por Banderas - as verdades ocultas de sua esposa desaparecida.

Neste filme, é produzido um novo duelo interpretativo criado por Eyre, que há dois anos aconteceu entre Judi Dench e Cate Blanchett em "Notas sobre um Escândalo" (2006).

O cineasta sempre teve em mente Banderas na hora de desenvolver o papel - "um personagem patético que não é o que pretende ser", nas palavras do ator -, por isso que sua chegada ao projeto supôs "uma feliz colaboração" que enriqueceu o personagem, explicou Eyre em coletiva de imprensa.

Banderas ressaltou que "The Other Man" não é um filme americano, mas britânico. "Hollywood não pode dar lições de moralidade", afirmou o ator, que lembra como nos Estados Unidos se escandalizou a condição de homossexual de seu personagem - e não a de assassino - em "A lei do desejo" (1986).

"Trabalhei com Pedro Almodóvar durante os anos 80 (...), em títulos que com o tempo se transformaram em clássicos", lembrou o protagonista de "Ata-me" (1989), que comemora os trabalhos com o cineasta que, segundo ele,"inventou sua própria linguagem e pagou um preço por ela".

Quando receber o prêmio Donostia de suas mãos, Antonio Banderas, que estreou em Hollywood com "Os reis do Mambo" (1992), diz que só terá vontade de abraçá-lo, já que, segundo ele, os dois não mantêm contato há muito tempo.

"Depois falaremos e já veremos o que a vida nos tem reservado", explicou o ator sobre um possível novo filme conjunto.

Perfeitamente instalado em Hollywood e com uma bem-sucedida trajetória teatral na Broadway, o ator espanhol não sente ter sido representante de ninguém mais do que dele mesmo, mas reconhece ter aberto portas aos atores latinos nos EUA. EFE hlm/ab/rr

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