Um trio perigoso começou a frequentar salas escuras de baladas e festas particulares, predominantemente procuradas pelo público gay. É a mistura de três pílulas - medicamento contra impotência, ecstasy e uma das drogas usadas no coquetel antiaids - que revela não apenas a postura suicida dos jovens com relação às doenças sexualmente transmissíveis como também a necessidade, a qualquer custo, de alucinar durante as noitadas.

O pagamento de até R$ 200 pela tríplice de comprimidos é justificada com argumentos que têm aterrorizado quem os escuta: o ecstasy é para pirar, o remédio antidisfunção erétil, para ter fôlego, aguentar todas as relações sexuais e aumentar a libido e o remédio contra aids é porque sabem que vão fazer sexo sem camisinha depois de tanta piração. Acreditam que o remédio pode impedir a infecção, o que não tem nenhuma comprovação científica. Usuários dizem que já havia a cultura de recorrer a fortes medicamentos para tratar o HIV pós-sexo de risco, chamado de "coquetel do dia seguinte". Agora, as baladas mostram que engatinha a "moda" da pré-exposição.

O comportamento negligente não para aí. A combinação de remédios usada para tratar o vírus HIV, importante conquista para a sobrevivência dos pacientes soropositivos, também foi desvirtuada para a categoria de "drogas recreativas". Além da ideia extremamente perigosa de que pode ser uma proteção para a roleta russa que é ter relações sexuais sem preservativo, também é consumido para dar um "plus no barato", com o intuito de conseguir aumento da ereção e alucinação. O alerta dos especialistas quanto à prática é que mesmo que esse comportamento arriscado hoje esteja restrito ao grupo gay (e endinheirado), a história da aids já mostrou que a doença não segue nem respeita orientações sexuais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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