Anthony van Dyck é tema de exposição no Tate Britain de Londres

LONDRES ¿ A faceta mais retratista de Anthony van Dyck (1599-1641) é o tema de uma exposição que o Museu Tate Britain dedica ao mestre flamengo durante seus anos no Reino Unido, onde foi pintor da corte do rei Carlos I até sua morte, em 1641.

EFE |

Cerca de 90 pinturas do artista e outras de antecessores e posteriores a ele formam a mostra "Van Dyck e Grã-Bretanha", que poderá ser vista entre 18 de fevereiro e 17 de maio.

Dividida em oito salas, a exposição destaca a influência que o pintor teve desde que, em 1632, se instalou na Inglaterra convidado por Carlos I (1600-1649), assim como seu legado, pois seu estilo dominou o retrato neste país durante mais de 200 anos.

A primeira sala está dedicada aos artistas que precederam Van Dyck, especialmente Daniel Mytens, principal pintor da realeza por volta de 1620, e Cornelius Johnson, outro dos mestres com maior atividade artística em Londres.

Apesar de Van Dyck ter visitado a Inglaterra rapidamente por volta de 1621, voltou ao país em 1632 a convite de Carlos I, com quem o artista teve uma grande relação, a mais importante entre um pintor e um monarca, disse à Agência Efe Kevin Sharpe, professor da Universidade Queen Mary de Londres.

A relação foi tão íntima que o rei concedeu ao artista o título de cavalheiro, e deu ao pintor uma propriedade no bairro de Blackfriars, em Londres, afirmou Sharpe. A influência foi imensa, já que o pintor transformou a imagem da monarquia e da aristocracia no Reino Unido, acrescentou.

Isso pode ser visto na segunda sala do Tate Britain, que mostra os trabalhos mais importantes que Van Dyck fez para a corte de Carlos I, como o do rei montado a cavalo (1633), pertencente à Coleção Real britânica.

Além desse quadro, outros destaques são uma pintura da princesa Mary (1636), filha do monarca, e outra de Carlos II pequeno (1632 a 1635), filho do rei. Nesta época, Carlos I queria que Van Dyck criasse retratos seus que permitissem reforçar sua imagem pública, através de quadros que mostrassem uma família real feliz e sólida.

No entanto, essa imagem era uma mera ilusão, pois a relação entre o rei e o Parlamento era cada vez mais tensa e o monarca estava cada dia mais isolado, pouco antes do início da guerra civil inglesa, em 1942, segundo a galeria.

Durante sua estadia na Inglaterra, Van Dyck não só pintou para a corte, mas também para fazendeiros, que queriam recorrer aos serviços do mestre flamengo para que este refletisse em seus retratos toda a influência que tinham no país.

Entre os que recorreram ao pintor está Thomas Wentworth, político e um dos homens mais poderosos da época, e Thomas Howard, 14º conde de Arundel.

O Tate Britain ressalta, além disso, os quadros que Van Dyck dedicou à família e aos amigos, assim como auto-retratos.

O artista, no entanto, morreu em 1641, um ano antes do começo da guerra civil que obrigou Carlos I a estabelecer sua corte no exílio em Oxford. O rei acabou sendo executado em 1649.

Por esta época, a Inglaterra vivia momentos de grande conflito político, com Oliver Cromwell como seu tutor até que ter sido restabelecida a monarquia com o reinado de Carlos II.

Esta revolução na política não se traduziu, no entanto, na pintura, segundo o Tate Britain, que insiste em que o legado visual de Van Dyck teve influência em artistas como Peter Lely, Francis Hayman, Thomas Gainsborough ou John Singer Sargent, já no século XX.

(Reportagem de Viviana García)

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