Antes de depoimento, presidente diz que não deveria julgar parlamentares

BRASÍLIA - Um dia antes do depoimento do delegado da Polícia Federal, Rodrigo Levin, no Conselho de Ética (CE) da Câmara, em que será testemunha de acusação contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que responde a processo de cassação de mandato, o presidente do CE, Sérgio Moraes (PTB-RS), disse que o órgão não deveria ser o responsável pelo julgamentos de parlamentares. Para ele, os casos de cassação deveriam ser enviados diretamente para o Supremo, visto que, em sua opinião, não é possível se julgar colegas.

Severino Motta e Rodrigo Ledo, do Santafé Idéias |

"Não poderia ter Conselho de Ética para cassar [parlamentares]. Tinha que ser no judiciário, pois ao julgar colegas existe ou uma proteção ou uma perseguição", disse. "Há parlamentares que querem a mídia, outros com problemas na base [o que pode alterar o voto]", completou.

Questionado se a opinião não seria contraditória, uma vez que Sérgio é o presidente do órgão que defende a supressão de atribuições, ele disse que não. O deputado frisou que essa era sua opinião pessoal, e que em nada influenciaria os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos, em especial o julgamento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, acusado pela Polícia Federal de desvio de recursos do BNDES durante a operação Santa Tereza.

Não tenho problemas com pressão [por defender que as cassações vão ao Supremo]. Deito e durmo tranquilamente", explicou.

Em sua argumentação pelo fim dos processos de cassação no Conselho de Ética, Sérgio comentou o caso do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), cassado após revelar a existência do mensalão na Câmara.

"Como pode um Conselho cassar o Roberto Jefferson por ele não provar que existia o mensalão quando todos sabemos que existia? No judiciário as coisas não seriam assim", pontuou.

Presunção de Inocência


Sobre o depoimento, de Levin, marcado para a tarde desta quarta-feira, Moraes comentou que toda a sessão deve ser fechada.De acordo com ele, por se tratar de um inquérito que corre em segredo de justiça, os deputados apelarão para esse mecanismo na tentativa de que o policial esclareça uma série de pontos da acusação.

Isso porque, disse o presidente, os parlamentares ainda "estão tateando no escuro", e "buscarão um norte", a partir do depoimento do delgado, para poder "punir ou absolver" Paulinho. "Vai ser uma sessão secreta, eu queria que fosse aberta, mas os membros do Conselho preferiram assim", explicou.

Moraes ainda destacou que, pelos documentos de acusação por ele analisados, e pelas gravações telefônicas ouvidas, não é possível se formar a convicção de culpa. O presidente também comentou que conversou com agentes da Polícia Federal de maneira informal e não obteve dados concretos para uma punição.

"Eu ouvi as gravações e não vi nada de absurdo, a não ser que tenham outras [gravações]. Dizem que os lobistas desviaram recursos do BNDES e repartiram numa boate, mas os recursos liberados ainda nem saíram da Caixa Economica Federal", ponderou. "Não se pode culpar ninguém sem provas", completou.

Por fim o presidente do Conselho de Ética destacou que pretende concluir o processo de cassação até o dia 15 de setembro, dispensando uma eventual prorrogação dos trabalhos. Ele alegou que o mesmo deve ser a vontade do deputado Paulinho, uma vez que a Polícia Federal continua as investigações e fatos novos podem surgir a qualquer momento.

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