Antecipação eleitoral tira foco da crise, diz Serra

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), apontado como um dos prováveis candidatos à sucessão na Presidência da República, disse hoje, em Curitiba, que a antecipação da discussão eleitoral não é boa para o Brasil, em razão da crise econômica. Não acho boa essa antecipação, pois tira o foco do trabalho da crise, que é a mais séria desde o começo dos anos 30, afirmou o governador paulista.

Agência Estado |

Na capital paranaense, ele assinou um termo de cooperação tributária com o governador Roberto Requião (PMDB) e fez uma visita ao prefeito Beto Richa (PSDB).

Serra falou de política no gabinete de Richa. Ele acentuou que é normal haver uma mudança de clima às vésperas das eleições. "Mas não estamos em vésperas", disse. "Claro que o ano anterior é um ano político, de conversas, mas não é para criar clima porque dificulta a ação cooperativa para o enfrentamento da crise." Ele destacou, no entanto, que não se deve confundir seu posicionamento com um possível não interesse em ser candidato. "Pode ser que venha a ser candidato no ano que vem. É possível. Mas neste momento estou concentrado na minha administração em São Paulo."

Questionado se a antecipação do debate eleitoral já estaria atrapalhando no encontro de uma solução para a crise, Serra foi enfático: "Já (está atrapalhando), sem dúvida nenhuma." Mas não foi tão direto quando questionado se o governo federal não estaria, a partir de seu posicionamento, tão preocupado com a crise, visto que é acusado de antecipar a disputa eleitoral com as constantes viagens da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como candidata do PT. "Minha missão não é dar combate político ao governo federal, minha missão é administrar São Paulo e cooperar para que o Brasil sofra menos com a crise."

Com Requião, Serra disse ter conversado unicamente questões administrativas. "Temos boas relações históricas com o PMDB do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. O Requião é um colega, sempre tivemos relação cordial, cada um com seu temperamento, mas não significa que haja algum entendimento político hoje", destacou.

O termo de cooperação assinado pelos governadores institui o regime de substituição tributária em operações interestaduais. Os fabricantes passam a recolher antecipadamente, em benefício do Estado vizinho, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que seria pago nas etapas de comercialização. O acordo começa com alguns produtos, mas outros serão incorporados posteriormente.

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