ANS: 97 planos de saúde fecharam em São Paulo em dois anos

A oferta de planos de saúde diminuiu 14% em dois anos no Estado de São Paulo. Das 708 operadoras que atuavam em 2006, 97 fecharam as portas - existem agora 611 em funcionamento, de acordo com o relatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Agência Estado |

Enquanto os planos diminuíram, o número de usuários aumentou.

O principal responsável por essa mudança é cenário econômico. “Em tempos de inflação alta, os vícios de gestão dessas empresas ficavam encobertos pelas vantagens financeiras que elas conseguiam obter por meio do pagamento antecipado das mensalidades dos clientes”, diz Pedro Fazio, economista especialista em saúde suplementar. Para a ANS, a regulação do mercado também dificultou a permanência das empresas que apresentavam administração mais precária.

“Saúde não tem preço, mas tem um custo cada vez mais alto”, declara Clóvis Constantino, pediatra e representante do Conselho Federal de Medicina (CFM) em São Paulo. “As novidades da Medicina são constantes e impõem às empresas um investimento alto em atualização tecnológica e na oferta de procedimentos.”

Na avaliação de Alfredo Cardoso, diretor de normas e habilitação de operadoras da Agência, duas exigências da ANS modificaram o funcionamento desses negócios: a necessidade de oferecer um rol mínimo de procedimentos médicos e a obrigação de fazer reservas financeiras para garantir atendimento em caso de problemas financeiros. “As empresas financeiramente mais frágeis não conseguiram se adequar ao novo cenário”, constata.

Pacientes

Enquanto o número de operadoras diminui, a quantidade de usuários aumenta. De 2006 a 2008, mais de 1,2 milhão de pessoas entraram para o sistema privado de saúde em São Paulo. Atualmente, são 16,8 milhões. Mas não se pode dizer quantos novos hospitais a região ganhou no período. Hoje, existe um pronto-socorro especializado para cada 1,4 milhão de segurados, de acordo com apuração da ANS. Porém, não há parâmetros claros para medir qual deve ser a proporção entre usuários e planos de saúde. Nem mesmo a ANS sabe dizer se a proporção atual é adequada.

Carolina Dall’olio

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