Annie Leibovitz evita embargo de suas obras depois de acordo com credores

A fotógrafa Annie Leibovitz, à beira da falência depois de empenhar todos seus bens, anunciou que chegou a um acordo com seu credor, que retirou ação judicial de 24 milhões de dólares.

AFP |

"Nestes tempos difíceis, agradeço à Art Capital por tudo que fez para resolver este assunto e por seu apoio", afirma, Lebovitz em um comunicado.

Conforme o acordo anunciado, a dívida de Leibovitz será refinanciada com uma nova data de vencimento, a Art Capital retira a ação e a artista recupera por ora os direitos sobre todas suas obras e bens.

"Nós nos alegramos de poder continuar ajudando Leibovitz a alcançar a estabilidade financeira e estamos orgulhosos de ter sido útil a ela neste momento de sua vida e sua carreira", afirmou Ian Peck, presidente da Art Capital.

Para compor as fotos que a transformaram, aos 59 anos, em uma das melhores retratistas do mundo, Leibovitz nunca se preocupou com as finanças.

Em plena crise, Annie Leibovitz fez, em dezembro de 2008, o mesmo que muitos artistas e colecionadores de arte: recorreu a uma instituição financeira que emprestou dinheiro em troca de uma hipoteca sobre as obras.

Leibovitz devia 24 milhões de dólares e em 8 de dezembro ia vencer o prazo a partir do qual entraria em falência caso não reembolsasse o dinheiro à Art Capital, que entrou com uma ação judicial para exigir o pagamento.

Além de seus arquivos fotográficos, avaliados segundo o New York Times em 50 milhões de dólares, estavam hipotecadas sua casa - que ocupa toda uma esquina do Greenwich Village - e uma residência em Rhinebeck, ao norte de Nova York.

Leibovitz nunca teve a fama de organizar bem as próprias finanças.

Quando, nos anos 80, a American Express a contratou para uma campanha foi revelada a notícia, irônica, de que a empresa havia negado a concessão do famoso cartão de crédito à artista.

Mas desde o cantor John Lennon nu com Yoko Ono - fotografado horas antes de seu assassinato em 1980 - à rainha Elizabeth II da Inglaterra, pasando por Demi Moore grávida e nua, é difícil encontrar um famoso que não tenha sido retratado por Leibovitz, que iniciou a carreira na revista Rolling Stone em 1970.

Desde que o New York Times revelou o caso no início do ano, a cidade Nova York especula sobre as razões da queda em desgraça de uma de suas melhores artistas, nascida em 1949 no estado vizinho de Connecticut.

A revista New York Magazine dedicou um grande espaço para arriscar uma resposta, relatando como o trem da vida de Leibovitz e suas obsessões profissionais foram pouco a pouco a afastando da realidade.

A revista investigou desde a montagem dos cenários delirantes de suas fotos até seu crescente gosto pelo luxo, incluindo a compra de um apartamento às margens do rio Sena em Paris para passar temporadas com a companheira, a escritora Susan Sontag - outra novaiorquina adorada pela cidade -, falecida em 2004.

Em um documentário dedicado a Leibovitz, a editora da Vogue, Anna Wintour, dá sua própria explicação: "O orçamento não é algo que entre na consciência dela, mas vale a pena, porque no fim ela te dá uma imagem como ninguém mais pode conseguir".

ltl/cn

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