SÃO PAULO ¿ Termina neste domingo (19) no Rio de Janeiro e chega a São Paulo na próxima terça-feira (21) a 17ª edição do Anima Mundi, maior festival de animação da América Latina e terceiro mais importante do mundo. Até o dia 28, serão exibidos 401 filmes de 40 países, entre longas e curtas-metragens. A mostra vai permitir ao público assistir desde obras de lugares longíquos, como Ucrânia e Taiwan, até a algumas das 66 animações brasileiras selecionadas.

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Curta-metragem "This Way Up", de Smith & Foulkes, concorreu ao Oscar 2009

A fartura de produções nacionais reflete um período excelente para o setor no País, repleto de projetos em andamento e com o despertar de uma série de iniciativas específicas de incentivo governamental. A maior prova disso são os nove filmes na mostra competitiva, um recorde na história do evento. "O Anima é o maior responsável por esse boom", afirma Aida Queiroz, criadora e organizadora do festival. Segundo ela, o espaço permitiu que, ao longo dos anos, se pudesse educar o público para o formato, promover a animação e organizar os profissionais da área, tanto que a partir dele surgiu a Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA).

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O brasileiro "As Aventuras de Gui e Estopa"

Outra consequência é o Anima Forum, conferência dedicada à indústria e ao mercado de animação em geral e que foi realizada ao longo desta semana, pela primeira vez no Rio, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil. "Serve como uma espécie de catalizador do mercado de animação", diz Aida. "Como animadora, dá muito orgulho ver o mercado desse jeito, isso era impensável há 20 anos. Existe trabalho o ano inteiro, seja pela publicidade ou através de editais. É uma indústria cuja tendência é ficar cada vez maior."

O festival está dividido em quatro mostras competitivas (longas, curtas, Infantil e Portfólio) e quatro não-competitivas (Animação em Curso, Futuro Animador e Panorama de curta e longa). Depois do Brasil, França, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha foram os países que mais tiveram filmes selecionados.

Entre os brasileiros, destaque para "As Aventuras de Gui e Estopa", que será exibido fora da competição. O filme é o primeiro longa de animação nacional dirigido por uma mulher, Mariana Caltabiano , parceira do iG e criadora do site iGuinho .

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Festival exibe novo filme de Wallace e Gromit
Até o momento, a movimentação nos oito espaços de exibição na capital carioca tem sido intensa. "As sessões têm sido lotadas", conta Aida. Nos destaques da programação, a nova aventura da dupla Wallace e Gromit, da Aardman Animations, batizada de "A Matter of Loaf and Death". Na onda do fenômeno indiano que varre o País, é interessante assistir a "Sita Sings the Blues", longa norte-americano baseado no poema épico "Ramayana".

Em "$9.99", a diretora australiana Tatia Rosenthal narra em stop-motion a jornada de um rapaz determinado a entender o sentido da vida gastando menos de 10 dólares. Já em "Peur(s) Du Noir", 10 artistas franceses retratam seus piores pesadelos em uma bela animação em preto e branco. Também é a oportunidade de assistir a "This Way Up", de Smith & Foulkes, curta-metragem indicado ao Oscar deste ano, ou ao belo videoclipe da música "Her Morning Elegance", dirigido pela dupla Yuval e Merav Nathan, de Israel, visto milhares de vezes na web.

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Animador que trabalhou em "Coraline e o
Mundo Secreto" está no Brasil para o Anima Mundi

O festival fará uma homenagem a Anelio Latini, autor do primeiro longa de animação brasileiro, "Sinfonia Amazônica" (1952). "Queremos mostrar que a animação tem história no Brasil e fazer uma homenagem póstuma, já que um monte de animadores seguiu os passos de Latini, que ensinou a ser autodidata, a fazer as coisas na raça", explica a organizadora do Anima. Além disso, a exibição também procura sensilizar a opinião pública para a restauração do filme, que tem custo estimado em R$ 400 mil.

Entre os convidados especiais, está confirmada a presença para um bate-papo do francês Michel Ocelot, considerado mestre da animação infantil, diretor de "Azur e Asmar" e "Kirikou e a Feiticeira", e do norte-americano Mike Cachuela, responsável por desenvolver visualmente filmes como "Ratatouille", "Os Incríveis", "Toy Story" e "Coraline", no qual foi construtor de bonecos. Da Walt Disney, virão Renato dos Anjos e Leo Sanchez-Barbosa para falar de "Bolt", desde o design original até a última concepção do personagem.

Anima Mundi no Rio de Janeiro
De 10 a 19 de julho

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Praça Animada, Cinema Odeon BR, Cinema Estação Botafogo e Oi Futuro
Ingresso: R$ 6 (R$ 3 meia)
Sessões gratuitas no CCBB: infantis ¿ retirada de senhas somente no dia da sessão com 1 hora de antecedência na bilheteria.

Sala de Cinema - Centro Cultural Correios
Entrada Gratuita

Anima Mundi em São Paulo
De 22 a 26 de julho

Fundação Memorial da América Latina
Ingresso: R$ 6 (R$ 3 meia)

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
Sessões gratuitas; retirada de senhas a partir das 10h

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