Angra-RJ é palco de atos pró e contra usinas nucleares

Centro de Angra dos Reis tem manifestações opostas e simultâneas, contra e a favor da expansão do programa nuclear brasileiro

AE |

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De um lado, ambientalistas e estudantes com camisetas pretas. Do outro, funcionários da Eletronuclear vestindo branco.

O centro de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, foi palco hoje de manifestações opostas e simultâneas, contra e a favor da expansão do programa nuclear brasileiro, com a prometida construção da usina Angra 3.

"Nossa manifestação é pacífica e silenciosa", avisou Rafael Ribeiro, um dos conselheiros da organização não-governamental (ONG) Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sape), pouco depois dos manifestantes dos dois grupos se cruzarem na praça General Osório. Cerca de 40 estudantes de duas escolas públicas engrossaram o coro de duas dezenas de ambientalistas, que percorreram ruas carregando faixas, velas acesas, uma coroa de flores e um caixão cenográfico até a praça da Matriz, usando máscaras brancas no rosto.

O grupo do "sim" era menor, cerca de 25 pessoas ao todo. "Nossa intenção não é o embate, mas o contraponto. Eles (os ambientalistas) estão tirando proveito da tragédia no Japão", disse o técnico de edificações Donato Borges, de 51 anos, que trabalha há 34 na Central Nuclear de Angra. Ele disse que o objetivo era mostrar a importância da construção da terceira usina na geração de empregos. "Sem as obras, serão 3 mil pessoas na rua em Angra".

Para Ribeiro, o ato dos funcionários foi "uma provocação apelativa". "São pessoas ligadas ao PT que estão penduradas na Eletronuclear e fazem esse papelão". Um defensor da energia nuclear ressaltou que Angra é bem mais moderna do que a usina japonesa de Daiichi, que registrou vazamentos após o terremoto que atingiu o país na semana passada. "Estamos aqui para mostrar as diferenças entre as usinas", disse o funcionário da Odebrecht Marcelo Vidal, de 39, que trabalha há 15 anos em Angra 2.

Alexandre Silva, do Comitê de Defesa da Ilha Grande, alertou para a eventual dificuldade de remoção de moradores da ilha em caso de emergência na central nuclear. Segundo ele, hoje esses moradores não são considerados nos planos de prevenção.

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