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Andréa Beltrão se aventura pelo gênero de ação em Verônica , que chega aos cinemas

SÃO PAULO ¿ Se você nunca imaginou Andréa Beltrão de revólver em punho e fugindo de traficantes e policiais corruptos, pode começar a rever seus conceitos. Chega às telas do País nesta sexta-feira (06) o longa-metragem ¿Verônica¿, no qual a atriz interpreta a personagem-título, em uma rara investida do cinema nacional pelo gênero de ação. A experiência foi tão positiva que Andréa diz estar aceitando propostas para encarnar uma nova heroína, e confessa: ¿Quero ser o Bruce Willis¿.

Marco Tomazzoni |

Verônica, não se trata, no entanto, de uma história com tempero hollywoodiano. O diretor Maurício Farias ¿ responsável pela série A Grande Família e pela bem-sucedida adaptação do programa ao cinema ¿ optou por um enredo tipicamente brasileiro. Na trama escrita por ele e pelo roteirista Bernardo Guilherme, Beltrão é uma desiludida professora da rede municipal carioca, em um colégio onde a hora do recreio é interrompida pelas trocas de tiros entre os traficantes do morro. Obrigada a levar um aluno-problema para casa, ela descobre que os pais do garoto foram mortos em uma queima de arquivo e que ele corre o risco de ser o próximo.

"Verônica" corre pelas ruas salvar o jovem
estreante Matheus de Sá / Divulgação

A partir daí, começa um jogo de gato e rato para escapar dos criminosos e da banda podre da polícia, interessada em recuperar informações preciosas. Dividida entre lavar as mãos ou salvar o menino, Verônica opta pela segunda opção. Escolhi um professor como protagonista porque ele já um herói naturalmente, nas condições da rede municipal de ensino, afirma Farias. Em algumas áreas do Rio, ser professor é uma profissão de risco. Você vira fã imediatamente das professoras.

O projeto começou com outro roteiro, escrito por Farias e por Beltrão, sua esposa. Os altos custos da produção, porém, fizeram com que o rumo da história fosse diferente. Do roteiro anterior, só ficou o nome da personagem. A gente resolveu escrever outro para filmar muito rapidamente, conta o diretor. Ainda antes do fenômeno Tropa de Elite, a ideia era fazer um policial de ação, pois seria um gênero interessante para Andréa seguir. Não foi exatamente o que aconteceu, até porque, além dos tiros e perseguição, há um pano de fundo latente de crítica à violência e às instituições públicas.

E aí reside uma espécie de contradição. Maurício Farias garante que existem dois pesos principais na balança do filme. Um deles, mais claro, é a falência do Estado, que deveria coibir os diversos graus de violência e não coíbe. O outro, ideológico, é uma crítica ao cidadão e à desvalorização da vida. A gente encara a morte do próximo como uma coisa banal, algo que deveria ser impensável. Até onde você iria para salvar a vida de alguém?, questiona, lembrando o dilema de Verônica.

A protagonista, por outro lado, defende que nada disso era importante. Em momento algum quisemos fazer um filme-denúncia para tratar a questão social, a polícia, os professores do Rio, explica Andréa, a gente acha esse tipo de filme chato, a não ser os grandes, que existem em todos os gêneros. Para ela, o importante era contar uma boa história e envolver o espectador na relação de amor que nasce entre uma mulher cheia de desgosto e uma criança que precisa de esperança. Se, além disso, o filme levantar outras questões, ótimo, cumprimos nossa missão.

Câmera escondida e Cassavetes

O baixo orçamento ¿ as filmagens consumiram R$ 500 mil ao longo de cinco semanas, no início de 2007 ¿ fez com que Verônica tivesse uma produção rápida e enxuta. Por isso, tudo foi filmado em locação, o que, segundo o diretor, ajudou a passar autenticidade para o longa. Sabia que o filme precisava parecer de verdade. Cenário, figurino e iluminação foram feitos de modo quase documental.

Mais do que isso, a falta de dinheiro impediu que fossem contratados figurantes para aparecerem nas cenas e encherem as ruas. A solução, um pouco desesperada, como lembra Andréa, foi contar com a ajuda dos moradores do Rio das Pedras, favela na zona Oeste do Rio, sem que eles necessariamente soubessem disso. A gente escondia a câmera dentro de uma barraca de companhia de gás e deixava só a lente de fora, truque que aprendi com meu pai [o cineasta Roberto Farias], diz Maurício. Ficávamos escondidos, marcávamos a cena, dizia sai daqui, chega ali, vai! Os carros que passam ali são de verdade, não são os do Projac que vêm devagarzinho.

Beltrão ainda ressalta que, se a trama de Verônica lembra um pouco o sucesso Gloria (1980), de John Cassavetes, não é mera coincidência. O longa estrelado por Gena Rowlands foi uma das inspirações assumidas pela atriz e por Farias, assim como diversos outros trabalhos ¿ O Profissional, O Exterminador do Futuro, Central do Brasil, O Garoto, todos com enfoque na relação adulto e criança.

O Gloria é um caso especial porque sou apaixonada pelo John Cassavetes e pela Gena Rowlands, conta Andréa, que confessa compartilhar a paixão com o marido, através de DVDs, livros e diários de filmagem. Eu queria ser a Gena Rowlands. E o Bruce Willis, brinca. Se ela conseguiu ser o misto entre os dois, o público irá dizer.

Assista ao trailer de "Verônica":

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