Andinho comandava tráfico de dentro de prisão em SP

Sequestrador condenado a 632 anos de prisão despachava do presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau

AE |

Trancado numa cela de 9 m² no presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau, no oeste do Estado, o sequestrador Wanderson Nilton Paula Lima, o Andinho, de 31 anos, condenado a 632 anos, 8 meses e 15 dias de prisão, comandou pelo menos até 2009 as bocas de tráfico em Campinas, a 504 km dali. Em depoimento à Justiça no dia 1º de fevereiro, ao qual a reportagem teve acesso com exclusividade, ele explicou ao juiz e ao promotor como despachava da cadeia.

O depoimento de Andinho à Justiça comprova que ele transformou sua cela na P-2 de Venceslau em escritório do crime. Diante do juiz Maurício Henrique Guimarães Pereira Filho e dos promotores de Justiça Amauri Silveira Filho e Gaspar Pereira da Silva Júnior, explicou como, além do tráfico, usou o celular para mandar jogar duas granadas num jornal de Campinas, em 22 de janeiro de 2009, porque não gostou de uma reportagem sobre seu casamento.

Por telefone, cuidava dos negócios ilícitos sem chamar a atenção de agentes penitenciários. Em meio ao banho de sol de três horas, misturado a centenas de presos, ou à noite, na cela, trancada a partir das 17h, passava recados a seus funcionários, a maioria gerentes de pontos de venda de drogas em Campinas. Da prisão, Andinho autorizava a entrega de presentes, como motos e carros, para empregados, principalmente menores de idade. Mas também mandava atacar quem o contrariasse.

Em fevereiro deste ano, uma escolta especial levou o criminoso do presídio, onde estão os presos mais perigosos do País, ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), à 5ª Vara Criminal de Campinas, para depor. A rotina no Fórum foi alterada e a segurança, reforçada.

Contra ele pesam ao menos 17 condenações por sequestros, homicídios e roubos e também 31 mandados de prisão preventiva. O sequestrador foi acusado e denunciado também pelo Ministério Público à Justiça pelo assassinato do prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, em 2001. Ele sempre negou participação no crime.

Mesmo com evidências de que detentos usam celulares, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que a tolerância é zero com relação à entrada de objetos ilícitos nas unidades prisionais. "Nenhum dos presídios da SAP funciona como escritório do crime organizado", destacou a secretaria, por meio de nota.

O governo diz que, além de coibir a entrada de equipamentos, realiza revistas periódicas e há vigilância constante dos agentes. Segundo a SAP, as 146 unidades prisionais do Estado estão equipadas com aparelhos de raio X e detectores de metal de alta sensibilidade. A pasta afirma que foram investidos R$ 34 milhões em equipamentos (com recursos federais). Foram apreendidos 7.723 telefones celulares em 2008, o equivalente a 644 celulares por mês. As informações são do Jornal da Tarde.

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