Anda eleva previsão de vendas de adubos no Brasil em 2008

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - Embaladas principalmente pela expectativa de boa rentabilidade com a produção de soja e milho, as vendas de fertilizantes no Brasil poderão superar 26 milhões de tonelada neste ano, contra entregas de 24,6 milhões de toneladas em 2007, previu nesta segunda-feira a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

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De acordo com Mário Barbosa, presidente da entidade que representa o setor no país e também presidente da Bunge Fertilizantes, as vendas podem crescer até 6 por cento.

Nos primeiros meses do ano, a Anda estimava um crescimento nas entregas de até 4,5 por cento na comparação com 2007, quando o segmento registrou um volume recorde de vendas.

'Temos estimado aumento de demanda na faixa de 5 a 6 por cento até o momento. Mas os meses decisivos são julho e agosto, quando temos uma visão melhor da realidade', disse ele, admitindo, entretanto, que as projeções são conservadoras.

As previsões foram elevadas depois de as indústras registrarem o melhor primeiro semestre da história, com entregas de 11,32 milhões de toneladas, contra 9,39 milhões no mesmo período de 2007, uma alta de mais de 20 por cento.

'Parte disso é antecipação (de compras para a safra de verão)', explicou Barbosa.

O setor costuma verificar maiores vendas no segundo semestre, mas a exemplo do que ocorreu em 2007 muitos produtores anteciparam seus negócios, visando amenizar o impacto dos preços mais altos dos adubos.

Como o Brasil importa a maior parte de seu consumo, acaba sendo afetado pelos preços externos, que por sua vez são impulsionados pela procura em ambiente de commodities em alta.

'Mas acho que este ano provavelmente foi um pouco maior (a antecipação) do que no ano passado. Em janeiro e fevereiro, teve um momento em que a relação de troca, entre soja e fertilizante, estava muito boa. O produtor vendeu uma parte da soja e comprou fertilizante para o próximo plantio', disse.

Ele afirmou ainda que os agricultores estão também ampliando investimentos para tentar obter uma maior produtividade. 'Todo mundo está atrás disso.'

Para atender à demanda, as importações cresceram 12,9 por cento no primeiro semestre, para 8,61 milhões de toneladas. A produção nacional também aumentou no período, mas em menor medida (6,5 por cento), atingindo 4,777 milhões de toneladas.

'A indústria está trabalhando no seu limite. Crescimento grande da produção nacional só vamos ter em 2010, quando começam a entrar em operação alguns projetos', disse ele, referindo-se a unidades da própria Bunge. [ID:nN26347682]

DEMANDA PARA CANA E CAFÉ

Se os preços de alguns produtos estão elevando as vendas de fertilizantes, no caso de outros, como café e cana-de-açúcar, a história não é bem assim. 'No caso de cana-de-açúcar e café, é bastante provável que haja diminuição no uso de fertilizante.

Quando falamos que está bem, nos referimos a soja e milho, algodão também está razoável', disse Barbosa.

Segundo ele, ainda não é possível prever quanto crescerá a próxima safra (2008/09), mas certamente haverá um aumento de área plantada. 'A tendência do Brasil é de crescimento. Essa mudança de preço no mundo é em função de pessoas se alimentarem melhor... Isso é uma coisa que deve continuar e só existe uma solução... aumentar a produtividade', declarou.

Os melhores preços dos grãos devem propiciar um aumento de produção até mesmo em regiões mais pobres do mundo, como na África subsaariana, declarou um especialista estrangeiro convidado pela Anda para uma palestra nesta segunda-feira.

Segundo Pedro Sanchéz, diretor do projeto Vilas Millenium, da Universidade de Columbia (EUA), essa região africana poderia triplicar a produtividade agrícola em um período de cinco anos, com os altos preços dos alimentos incentivando programas de ajuda financeira aos produtores locais.

Essa região do continente africano, excluindo-se a África do Sul, planta cereais em uma área de 77 milhões de hectares, mas a produtividade agrícola obtida é de cerca de 1 tonelada por hectare, contra uma média no Brasil para o milho, por exemplo, de 4 toneladas.

Para obter tal resultado, Sanchéz aposta em um programa que já está dando resultados em Malaui, na África Oriental, que já foi o país mais pobre do mundo. Com subsídios governamentais e o apoio do projeto das Vilas Millenium, o país africano passou de importador a exportador líquido de grãos, vendendo ao exterior cerca de 100 mil toneladas de alimentos.

Ele disse que há negociações para que essa experiência seja levadaa para outros países da região, como Tanzânia, Quênia, Mali, Nigéria e Etiópia.

(Edição de Marcelo Teixeira)

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