Ancine vai investir R$ 74 milhões na produção de filmes

RIO DE JANEIRO ¿ A Agência Nacional de Cinema (Ancine) anuncia nesta quinta-feira os primeiros editais do Fundo Setorial do Audiovisual, criado há dois anos, e que destinarão a quantia recorde de R$ 74 milhões para projetos cinematográficos em 2009. Paradoxalmente, malgrado os investimentos, o cinema nacional vive um momento de queda de público.

Agência Estado |

Em julho, o último dado oficial divulgado mostrava uma participação do cinema nacional no público exibidor de cerca de 6,9% (diante de uma média, no período da retomada, entre 10% a 15%).

É muito expressivo o investimento. Nunca houve, em nenhum governo, federal, municipal ou estadual, um montante como esse sendo investido no cinema, disse Manoel Rangel, presidente da Ancine, na sexta. Para se ter uma idéia, duas das maiores empresas nacionais a investirem em cinema, o BNDES e a Petrobras, destinaram este ano para o setor, respectivamente, R$ 12 milhões e R$ 26 milhões.

Em 2007, o cinema nacional teve 10 milhões de espectadores no ano, diante de 16 milhões em 2004. Mas o presidente da Ancine rebateu a tese de que o público do cinema brasileiro enfrenta momento de queda. Disse que o market share (participação do público nacional no total da bilheteria de cinemas) subiu para 9,4% em outubro e que o monitoramento da Ancine mostra que está em crescimento e o ano deve fechar em 10%, 10,5% ou 11%.

Os editais a serem anunciados nesta quinta-feira, os quatro primeiros, prevêem investimentos em produção para cinema; produção para TV aberta e TV por assinatura; aquisição de direitos de distribuição de obras cinematográficas brasileiras de produção independente e comercialização de longas-metragens para salas de cinema.

Segundo Rangel, a chegada de um fundo direto de investimento não quer dizer que se vá abrir mão do mecanismo de renúncia fiscal, o motor da Lei do Audiovisual. Nosso projeto não é substituir, é compartilhar o fundo com a renúncia fiscal.

O Fundo Setorial do Audiovisual destina recursos para estímulo à atividade audiovisual. Foi criado em 2006 (lei 11.437) e regulamentado no ano passado, e sua verba provém da taxação da indústria cinematográfica (a taxa Codecine), da atividade econômica do setor e do Fundo de Fiscalizações das Telecomunicações (Fistel).

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