Analistas estrangeiros temem pelo futuro da Amazônia

Por Stuart Grudgings BRASÍLIA (Reuters) - A demissão da ministra do Meio Ambiente Marina Silva torna ainda mais ralas as credenciais ambientais do governo Lula, segundo ativistas estrangeiros ouvidos pela Reuters.

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Marina, ex-seringueira e líder sindical, ministra desde o primeiro mandato, era uma das grandes novidades que sinalizavam um rompimento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva com o passado conservador do Brasil.

Mas sua saída, na terça-feira, ilustra a longa transição de Lula entre o sindicalista inflamado de 30 anos atrás e o presidente amigo do capital.

'Ele está cada vez mais conservador', disse Christopher Garman, diretor de América Latina da consultoria Eurasia Group.

'Ele cedeu à visão de que a Amazônia tem de se desenvolver de uma forma ou de outra.'

Marina deixa o cargo, queixando-se de falta de apoio, num momento crítico para a floreta, já que a maior demanda mundial por alimentos e energia incentivam a sua destruição para fins agrícolas.

Analistas dizem que Marina estava cada vez mais isolada no governo em questões como o apoio aos biocombustíveis, os alimentos transgênicos e a energia nuclear.

LEGADO

Lula disse na quarta-feira que a política ambiental do seu governo não vai mudar. Mas analistas disseram que, sem a resistência de Marina, ficará mais fácil iniciar projetos como as hidrelétricas do rio Madeira (RO) ou de Belo Monte (PA), sobre as quais há preocupações ambientais.

'A Amazônia será uma região cada vez mais politizada para o governo, porque é a mais importante fonte de energia', disse Garman, lembrando que há enormes projetos de investimentos nos setores de mineração e hidroelétricas.

Num momento de prosperidade e estabilidade inéditas no Brasil, o governo tem urgência em realizar projetos de infra-estrutura, especialmente energética, para sustentar o crescimento superior a 5 por cento ao ano.

Tom Lovejoy, presidente do Centro Heinz, de Washington, disse que o Brasil precisaria mais do que nunca de um protetor da Amazônia, porque a floresta está próxima da saturação na sua capacidade de gerar chuvas, o que poderia afetar o clima regional.

'Acho que o julgamento final aqui será em cima do sucessor dela. É realmente importante ter uma pessoa forte, porque no meu ponto de vista a Amazônia está próxima de um ponto sem volta.'

Steve Schwartzmann, do Fundo de Defesa Ambiental, também de Washington, disse que havia fortes resistências às propostas de Marina contra a concessão de créditos a agropecuaristas que desrespeitem as leis ambientais.

Mas, segundo ambientalistas, a ministra deixa um legado duradouro, como o de ter sido responsável por uma ampliação de 20 milhões de hectares na área protegida na Amazônia entre 2003 e 2007.

A partir de 2003, o desmatamento na Amazônia caiu durante três anos seguidos, embora em 2007 tenha voltado a aumentar, acompanhando a alta global no preço dos alimentos.

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