SÃO PAULO - Apenas em pequenas cidades a lógica local predominou nas eleições municipais deste ano. Nos grandes centros, com mais de 200 mil eleitores, os grandes partidos fizeram alianças coerentes que sinalizam claramente o jogo eleitoral para 2010.

São cidades em que as composições foram definidas por cima, pelas direções nacionais de cada sigla, sem espaço para motivações regionais.

PT e PSDB estiveram juntos em um a cada cinco municípios de pequeno porte, mas em cidades de grande porte não há uma única aliança direta entre ambos. As duas siglas só se juntaram para apoiar o PC do B, em Aracaju, no primeiro turno.

Nos municípios de grande porte, o PT é o partido que lançou o maior número de candidatos próprios. Foram 57, em um universo das 80 maiores cidades. Os partidos do chamado " bloquinho " da esquerda foram seus principais parceiros. O PC do B estabeleceu 32 alianças, o PSB fez 24 coligações e o PDT, 17 parcerias com os petistas. É um sinal consistente da tendência desses partidos de apoiar a candidatura presidencial petista em 2010. A estrutura regional dessas siglas é frágil para bancar uma candidatura presidencial própria. O PC do B lançou 14 candidaturas próprias, o PSB, 15 e o PDT, 21. Com exceção do caso pedetista, a parceria com o PT foi mais comum até mesmo do que o lançamento de um nome da própria sigla.

O PMDB foi o segundo maior partido em número de candidaturas próprias: foram 41. Sabidamente é um partido com forte estrutura regional, mas sem projeto próprio à presidência. O quadro das alianças mostra contudo que o apoio pemedebista a uma candidatura do PT não está assegurado. O partido fez 12 alianças diretas com o PSDB e 8 com o DEM. Ao passo que ficou junto com o PT em 15 cidades. É um sinal de que os pemedebistas no plano regional oscilam entre os dois pólos que disputam o poder presidencial no Brasil. São Paulo é um bom exemplo. O partido optou por apoiar a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM), depois de negociações exaustivas com os petistas.

PSDB e DEM desenvolvem cada vez mais uma relação de interdependência. Estão juntos em 22 cidades, com o DEM em posição claramente secundária. Em 17 delas, são os integrantes do DEM que apóiam candidatos tucanos. Em outras cinco, ocorre o inverso. O encolhimento do DEM fica claro diante do quadro de candidaturas próprias dos dois partidos neste universo de 80 cidades. O PSDB lançou 37 candidatos próprios e o DEM apenas 20.

As siglas de centro-direita de forte presença parlamentar, como PP, PTB e PR, mostram alianças menos coerentes. O PP, integrante da base parlamentar de Lula, está mais próximo dos partidos de oposição. Fez 16 alianças com o PSDB e 8 com o DEM. Entre PT e PP, houve apenas dez alianças. O PTB teve no PMDB seu parceiro mais usual, com 14 alianças. Apoiou petistas em seis cidades e tucanos em oito municípios. O PR é o partido que teve menos presença nos grandes municípios. Lançou candidatos próprios em apenas cinco das 80 cidades com maior eleitorado. A pouca coerência destes três partidos na fixação de aliança indica a alta probabilidade de essas três siglas não definirem apoio a uma candidatura presidencial em 2010.

O quadro anexo a esta reportagem mostra o panorama das alianças nos 80 municípios. Os partidos estão sinalizados por cores. No caso das candidaturas próprias, consta na planilha o nome do candidato. As células sem nome, mas coloridas, indicam com que legenda cada partido está em determinada cidade. Deste modo, o PDT ocupa a primeira coluna e seus candidatos estão sinalizados pela cor vermelha. Nas cidades onde o PDT apóia o PT as células estarão coloridas de laranja. Onde o PDT apóia o PSDB estarão em cor verde e assim por diante.

Para visualizar o quadro, clique no ícone de arquivo anexo (o desenho de um clipe) ao lado do título.

(Cesar Felício | Valor Econômico, para o Valor Online)

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