Uma audiência pública sobre a liberação comercial de arroz transgênico promovida ontem pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) reacendeu o embate entre ambientalistas e integrantes do colegiado. Durante a reunião, houve troca de aplausos, revolta, risos e a constatação que as organizações não-governamentais (ONGs) retornaram à cena.

“A análise do arroz foi escolhida como o momento do retorno do debate. Acabou o momento do não, não, não. Mas é preciso que o sim seja fruto de consenso, de uma discussão feita de forma serena”, afirmou o representante do Greenpeace, Rafael Cruz.

Cruz admite que os grupos se desmobilizaram a partir de junho do ano passado, quando o Conselho de Ministros não aceitou o recurso contra a liberação comercial de uma variedade de milho transgênico. O tema de ontem, no entanto, ajudou. Não há consenso sobre a liberação do arroz geneticamente modificado entre os expositores. O representante da Embrapa, Flávio Brasghello, disse não haver benefícios na adoção desse tipo de tecnologia. Até entre agricultores há resistência - parte deles teme que possível contaminação do arroz convencional com espécies transgênicas impeça as exportações.

Alguns participantes questionaram a imparcialidade dos integrantes da CTNBio. Para o presidente da comissão, Walter Colli, a discussão não passava de “patrulhamento ideológico”. “Quando há conflito de interesse, o pesquisador deixa de votar durante a reunião. É assim que se faz, assim que sempre se fez.” No fim do debate, Colli, avisou que o tema somente deverá ser votado no segundo semestre. “Até lá, há um longo caminho a percorrer. Vamos analisar tudo o que foi dito durante a audiência, aguardar pareceres de consultores externos”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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