Ana Carolina faz aniversário e recebe homenagem em frente a sua casa

SÃO PAULO - Ana Carolina Cunha de Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, completa 24 anos neste sábado. A jovem recebeu uma homenagem em frente à sua casa, na Vila Gustavo, zona norte de São Paulo. Diversas pessoas se reuniram no local e entregaram presentes para a mãe e cartazes com fotos das duas e mensagens de solidariedade e apoio.

Redação |

Durante a manhã, Ana Carolina participou de um culto reservado para a família em uma capela. Ela vestia uma camiseta branca com a foto da filha e a frase "Isabella, nossa estrelinha para sempre".

Ao sair de casa, Ana Carolina concedeu uma pequena entrevista à imprensa e disse que não quer ficar triste porque Isabella não gostava de vê-la chorando. Segundo informações do "Jornal Hoje", ela afirmou também que vai participar de uma ONG "para que outras mães não passem pelo que ela passou".

No site de relaiconamento orkut, muitos amigos e também desconhecidos sensibilizados com o caso prestaram suas homenagens. A página da mãe contabiliza mais de 100 mil mensagens. As pessoas parabenizam Ana Carolina pelo aniversário e desejam força neste dia. "Apesar de seu sofrimento, parabéns por seu aniversário e que Deus te ilumine nessa caminhada", diz uma das mensagens.

Missa de 7º dia

Juliana Simon
Ana Carolina participa de missa
A missa de sétimo dia da morte de Isabella aconteceu na tarde de sexta-feira e reuniu mais de 800 pessoas na Igreja da Nossa Senhora da Candelária, na Vila Maria, zona norte de São Paulo.

A mãe da garota, Ana Carolina Cunha de Oliveira, chegou uma hora antes da cerimênia acompanhada do namorado, e permaneceu sentada na primeira fileira. Os avós de Isabella também estiveram presentes na cerimônia.

Antes da missa, muitas pessoas foram cumprimentar Ana Carolina, que se mostrava muito emocionada todo o tempo.

Durante a cerimônia, a mãe de Isabella permaneceu serena e cantou todos os hinos católicos. A missa durou cerca de uma hora e meia e Ana Carolina deixou a igreja com rosas nas mãos e, protegida por um cerco de parentes e amigos, entrou no carro sem dar entrevistas. 

Apoio

Juliana Simon
Massataka e Keiko, pais de Ives Ota, seqüestrado e assassinado por policiais militares aos oito anos em 1997, compareceram à missa e se sentaram ao lado de Ana Carolina.

Para Keiko, "a solidariedade é fundamental. É o amor das pessoas que nos alivia a dor da perda de um filho". Para ela, Ana Carolina está serena e "vai usar essa passagem para refletir".

A morte de Ives, como a de Isabella, causou comoção nacional e recolheu mais de 2,5 milhões de assinaturas para a ONG "Movimento da Paz e Justiça" em 1997.

Investigações

Nesta sexta-feira, o promotor de Justiça Francisco José Taddei Cembranelli afirmou que "não há dúvida de que houve um crime" na morte de Isabella. 

Alexandre Nardoni, pai da menina teria apresentado aos delegados responsáveis pela investigação os nomes de alguns supeitos do crime , segundo revelou seu advogado Marco Polo Levorin.

Nesta quinta-feira, investigadores revelaram que vestígios de sangue foram encontrados por uma equipe do Instituto de Criminalística (IC) dentro do Ford Ka do casal Alexandre e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá e no apartamento no 6º andar do Edifício Residencial London - de onde a garota caiu no sábado.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, passaram a primeira noite presos em delegacias separadas em São Paulo. Ele  está detido no 77º Distrito Policial, em Santa Cecília. Ela passou a noite 89º DP, no Portal do Morumbi, onde existe carceragem feminina. Os dois sozinhos em suas celas.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira que eram divorciados. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

A polícia afirmou que vai aguardar os laudos dos exames periciais, que ficarão prontos em cerca de 30 dias, para esclarecer as circunstâncias da morte. O delegado vinha afirmando que Nardoni e Anna Carolina não eram suspeitos.

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