Amorim nega candidatura para chefiar AIEA; apoia África do Sul

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que não apresentou sua candidatura para chefiar a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), cuja eleição para o cargo de diretor-geral passou por um impasse. Ele disse que apoia o representante da África do Sul, Abdul Samad Minty. Eu queria deixar muito claro que eu não fui, não sou e não serei candidato à agência atômica, afirmou Amorim a jornalistas durante uma coletiva convocada especialmente para falar sobre esse tema.

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"Se nós tivéssemos o desejo de apresentar outra candidatura, teria aproveitado o fato de ter havido um impasse em março", disse. A votação emperrou depois de o favorito, o japonês Yukiya Amano, não conseguiu os dois terços necessário para ser eleito na disputa com o sul-africano Minty.

O atual chefe, Mohamed El Baradei, deixa o cargo em novembro, após três mandatos de quatro anos cada.

"O Brasil apoia a candidatura sul-africana. A África do Sul é um país que divide conosco a participação na nova agenda que defende desarmamento nuclear e o controle de armas nucleares, com o qual nós nos sentimos totalmente identificados", afirmou.

Amorim descartou qualquer relação na disputa pela chefia da AIEA com o fato de o Brasil não apresentar candidatura própria para a sucessão na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O chanceler disse ainda que o país não apresentou candidato à Unesco porque não era nenhuma vitória "líquida e certa" como se dizia.

O país decidiu apoiar o ex-ministro da Cultura do Egito Farouk Hosni para a Unesco, por acreditar que "seria a vez de ter um candidato árabe".

"O Brasil tem uma política de aproximação com o mundo árabe muito forte", acrescentou.

O chanceler disse que, atualmente, o Brasil tem apenas duas candidaturas pelas quais está se empenhando: a do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e a da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie para o tribunal de apelações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

(Por Ana Paula Paiva)

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