Amorim minimiza declarações de assessor sobre frustração com EUA

RIO (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira que não há tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, ao comentar as declarações do assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, que disse estar frustrado e decepcionado com a política do governo norte-americano para a América Latina. Segundo Amorim, o clima entre os dois países é amistoso e ele considera natural a existência de divergências de opiniões entre países tão distintos.

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"Não há nenhuma tensão na relação Brasil-EUA, mas temos que nos acostumar a ter diferenças", disse Amorim a jornalistas, após participar de encontro com o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Amorim destacou que durante as discussões para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) também houve opiniões conflitantes entre os dois países.

"Isso é normal, não gera tensão. É preciso que saibamos dialogar", afirmou.

Na terça-feira, Garcia afirmou que a política do governo norte-americano para a região tem "certo sabor de decepção".

O assessor afirmou que o Brasil está frustrado com o governo dos EUA por sua atuação na América Latina, em especial na crise em Honduras, e em relação às indefinições na Rodada de Doha e ao impasse nas negociações sobre mudanças climáticas.

Amorim afirmou que Lula responderá de forma cordial e educada a carta enviada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, ao colega brasileiro no fim de semana.

"Vamos sempre salientar a possibilidade de cooperação, mas também não deixamos de salientar o ângulo que a gente vê as coisas, que não é necessariamente aquele que Washington vê", declarou. "Um país está no hemisfério Sul e outro no hemisfério Norte e é natural que as coisas sejam vistas de forma diferente".

Sobre a crise em Honduras, Amorim discorda do processo eleitoral no país, que deverá eleger um novo presidente no próximo domingo, mesmo sem a restituição do líder deposto, Manuel Zelaya, como defendido por líderes latino-americanos.

"Sem o retorno do presidente Zelaya ao poder, os presidentes das Américas do Sul, Central e Caribe, já declararam que consideram as eleições ilegítimas e que não reconhecerão o governo", declarou. "O Brasil continua firme nessa posição".

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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