Amorim cita Itaipu ao comentar ataques no Paraguai

O Itamaraty indicou hoje que uma eventual onda de violência contra brasileiros radicados no Paraguai porá fim nas negociações bilaterais sobre um tema especialmente caro ao país vizinho - o preço da energia gerada pela hidrelétrica binacional de Itaipu exportada ao Brasil. Apesar da natural cautela, a vinculação entre a ameaça que paira sobre cidadãos brasileiros e a interrupção das negociações foi apresentada à imprensa pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Agência Estado |

Minutos antes, o próprio chanceler afirmara que o Brasil mantém suas gestões com o "governo amigo e soberano" do Paraguai para evitar o pior. Ou seja, a morte de brasileiros, caso os camponeses sem-terra não sejam contidos pelo governo de Fernando Lugo.

"Esperamos que isso não ocorra. Estamos atentos", afirmou o chanceler, que deixou claro ser muito difícil ao governo dar uma orientação única aos brasileiros que estão sob essa ameaça. "As expressões que ouvimos das autoridades paraguaias são sempre tranqüilizantes. Nossa expectativa é que tenham capacidade de controlar excessos. É preciso que tudo seja feito com moderação e com respeito aos direitos humanos", completou.

A abertura de negociações sobre a energia de Itaipu foi o resultado das pressões diretas de Lugo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua visita a Brasília em setembro passado. A próxima rodada se dará no dia 27. Como utiliza apenas 5% da sua quota de energia de Itaipu, o Paraguai exporta o restante para o Brasil. Mas reclama que, do preço de US$ 45 por megawatt/hora, recebe apenas US$ 2,81 por megawatt. Ou seja, em vez de US$ 1,5 bilhão ao ano, o Brasil paga US$ 275 milhões.

A redução no valor, entretanto, deve-se aos descontos da dívida do Paraguai com o Tesouro Nacional e a Eletrobrás, que adiantaram a parcela paraguaia na construção da usina. Outro ponto relevante dessas negociações diz respeito à oferta brasileira de cooperar e financiar a construção de uma linha de transmissão de energia entre a hidrelétrica de Itaipu e Assunção, ao custo de US$ 350 milhões, que tenderá a acabar com os atuais apagões na capital paraguaia.

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