¿Amo os dois do mesmo jeito¿

Mãe de Goiânia que teve o filho trocado há mais de um ano diz que meninos serão tratados como irmãos

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

iG São Paulo
Queila segura o filho biológico
O Dia das Mães deste ano será marcante para a jovem Queila dos Santos Fagundes, de 22 anos. Na última segunda-feira, ela trocou com a dona de casa Elaine Gomes de Oliveira, 28 anos, o menino que criava há mais de um ano e acreditava ser seu filho biológico.

Desde então, tenta se adaptar à nova rotina com D., filho seu que era criado por Elaine. “Está tudo muito difícil, eles são bem diferentes. O que estava comigo comia de tudo, mamava direitinho. Já o D. ainda mama no peito, não toma nenhum tipo de leite”, conta. “Sentimos muito, a gente cria com amor, carinho e de repente vê o filho longe”, lamenta.

Segundo ela, tudo foi muito rápido desde a desconfiança do marido, que suspeitava de traição pelo fato de C. não se parecer com ele e a abandonou, a realização do exame de DNA e a destroca das crianças. Ela e Elaine deram à luz no dia 25 de março de 2009 no Hospital Santa Lúcia, em Goiânia, e tiveram os bebês trocados, mas o caso só veio a tona este ano, com a divulgação do examde de DNA, feito a pedido dela.

Difícil para as mães e também para os bebês. “Quando vejo o D. chorando me corta o coração. Também soube que o C. sente muito a nossa falta”, diz. O filho de Queila, de 5 anos, ainda não entende bem tudo o que aconteceu e mudou a rotina da família nos últimos dias. “A toda hora ele pede para trazer o irmão de volta”, afirma.

Assim que soube do erro cometido pelo hospital, Queila chegou a declarar que gostaria de ficar com o bebê que não era seu. Hoje, diz que já pensa diferente. “Fico dividida, não saberia escolher entre um ou outro. O amor é o mesmo”, diz. Ainda abalada, afirma que se conforta ao saber que Elaine e o marido são bons pais e tratam os outros filhos que têm, de 9 e 6 anos, com carinho. “Fico tranquila porque sei que ele vai ser bem cuidado”.

Para amenizar a saudade das crianças, as duas mães planejam morar próximas e se ajudarem na criação dos meninos. Hoje, Queila vive em Aparecida de Goiânia (GO) e Elaine em Terezópolis de Goiás (GO), distante cerca de 50 km. As duas querem se mudar para a cidade de Nerópolis.

O próximo domingo, Dia das Mães, ainda não sabem onde vão passar, mas já estão certas que irão comemorar juntas. “Somos uma família com filhos gêmeos”, brinca.

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