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Amigos e parentes se despedem de Zélia Gattai em Salvador

SALVADOR - O corpo da escritora Zélia Gattai, que morreu neste sábado aos 91 anos, foi velado na tarde deste domingo em Salvador, na Bahia. Familiares, amigos e políticos homenagearam a viúva de Jorge Amado em uma cerimônia no Cemitério Jardim da Saudade. A cremação do corpo estava marcada para às 15h30 deste domingo, mas foi adiada para segunda-feira, segundo o jornal iBahia.

Redação com Agência Estado |

 

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O artista Tati Moreno se despede
Os filhos de Zélia, João Jorge e Paloma Amado, decidiram depositar as cinzas da mãe no jardim de sua casa, no bairro do Rio Vermelho, onde também estão as cinzas de Jorge Amado.

Pouco antes de seu falecimento, Zélia havia sido retirada da UTI e transferida para um quarto, onde passou os últimos instantes em companhia de integrantes da família.

Paloma, abalada, deixou transparecer a dor da perda, e lembrou a fé de Jorge e Zélia, manifesta em personagens deles, como Pedro Arcanjo, um bedel que desmitifica a pureza caucasiana na elite baiana. "Eles não conheciam limites materiais, e sei que já estão de mãos dadas em seu jardim", comentou, emocionada.

Em respeito à mãe e aos ritos religiosos, a família usará branco. A cremação propriamente deve ocorrer na segunda-feira, dois dias após a morte, de acordo com amigos.

Perfil de Zélia Gattai

 

 

Zélia Gattai nasceu em 2 de julho de 1916, filha dos imigrantes italianos Ernesto Gattai (um militante anarquista) e Angelina da Col. Ela cresceu no bairro do Paraíso, na capital paulista, período que retratou em seu livro de estréia, "Anarquistas Graças a Deus".

Apesar de ter lançado seu primeiro livro somente no final dos anos 70, ela já mantinha contato com o meio literário desde a década de 30. Foi justamente num Encontro Brasileiro de Escritores, em 1945, que ela conheceu Jorge Amado, seu marido por mais de 50 anos.

Os dois se casaram poucos meses após se conhecerem e permaneceram juntos até a morte do escritor, em 2001. Foi o segundo casamento de Zélia - o primeiro, com o militante comunista Aldo Veiga, gerou um filho, Luís Carlos Veiga.

Com Jorge Amado, ela teve outros dois filhos, João Jorge, nascido em 1947, e Paloma, nascida em 1951. A última nasceu quando o casal estava exilado na Europa, devido a sua militância no Partido Comunista. Entre 1947 e 1952, eles viveram em Paris e em Praga.

Na volta ao Brasil, os dois se radicaram no Rio de Janeiro e, em 1963, mudaram-se para Salvador. Esse período da volta do exílio foi retratado no segundo livro de Zélia, "Um Chapéu para Viagem", publicado em 1982.

Seu primeiro trabalho, "Anarquistas Graças a Deus", foi lançado quando a escritora já tinha 63 anos. Foi um imediato sucesso de público e lhe valeu diversos prêmios. Cinco anos depois, virou uma série de TV dirigida por Walter Avancini.

A maior parte de sua obra é composta de memórias. Seu último livro, "Um Baiano Sensual e Romântico", é um retrato de Jorge Amado escrito em parceria com os filhos João Jorge e Paloma. A obra foi lançada em 2002.

Após a morte de Jorge Amado, em 2001, Zélia Gattai candidatou-se à vaga do marido na Academia Brasileira de Letras. Ela foi eleita no ano seguinte e passou a ocupar a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar.

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