Amigos e parentes prestam homenagem à Dercy Gonçalves

RIO DE JANEIRO - Aplausos, lágrimas e música marcaram a despedida da atriz Dercy Gonçalves, que foi velada de domingo até o final da manhã desta segunda-feira, no Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Centenas de pessoas, entre fãs, amigos e parentes, passaram pelo Saguão Getúlio Vargas, até a saída do corpo em carro aberto do Corpo de Bombeiros, escoltado por dez batedores da Polícia Militar. O caixão foi coberto por uma bandeira do Brasil. O corpo da atriz foi vestido com roupa bordada em paetês, maquiado e recebeu até cílios postiços e colares, um desejo dela, como revelou a sobrinha Lucy Freitas. O corpo já chegou à cidade natal da artista, Santa Maria Madalena, no norte do Estado do Rio, e está sendo velado no Clube Montanhês.

Redação |

Rafael Wallace
Sérgio Cabral se despede de Dercy Gonçalves
O governador Sérgio Cabral também foi prestar homenagem à atriz. Ele destacou a irreverência e a vontade de viver como suas principais características.

Ela demonstrava uma sabedoria de viver incrível. Morreu aos 101 anos, aprontando muito. Quando eu era deputado prestei uma homenagem a ela na Alerj. Fui a Santa Maria Madalena para colocar minhas mãos na calçada da fama, que ela promovia lá. Dercy era muito alegre, brincava com a velhice, mas não passava recibo, afirmou Cabral.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, Christino Áureo, revelou ser um admirador e contou que recebeu das mãos de Dercy o título de Cidadão Madalenense.

Do seu jeito, ela sempre foi uma pessoa que reivindicou muito por sua região. Neste momento nós políticos temos que reconhecer o que o povo já reconheceu. Ela era uma grande personalidade, destacou.

Amigo de Dercy há mais de 50 anos, o ator Homero Kossac fez um discurso de despedida emocionado.

Estamos assistindo ao funeral de duas metades de um ser humano. A metade atriz, que revolucionou o teatro, e a metade mulher, corajosa. Dercy fazia do palco sua catedral e do riso sua prece, ressaltou Kossac.

A irmã de Silvio Santos, Sara Soares, afirmou que a atriz tinha um contrato vitalício com o SBT e que seu irmão tinha grande admiração por Dercy.

Silvio gostava muito dela. Admirava a mulher guerreira e irreverente, que lutou para conseguir tudo que queria, afirmou.

Futura Press
Dercy em evento no dia 14
A filha da atriz, Maria Decimar Senra, informou que o sepultamento será nesta terça-feira (22/7) ¿ dia da festa da padroeira da cidade ¿, às 12h, no mausoléu da família, ao som do samba da Viradouro "Bravo, bravíssimo ¿ Dercy, o retrato de um povo", de 1991, ano em que ela foi tema do enredo da escola.

Mamãe gostava da vida, dizia que ser feliz era uma questão de decisão. Ela sempre disse que iria morrer no dia de Santa Maria Madalena. Não foi bem assim, mas a cidade está em festa e pronta para recebê-la. Todos lembram dela por sua irreverência, disse.

Para a sobrinha Lucy Freitas, Dercy era uma matriarca.

Ela sempre foi nosso grande sol. Éramos os planetas que gravitavam em volta dela. E o grande legado deixado por ela foi o sorriso e é com um sorriso triste que o povo se despede dela, declarou Freitas.

A Confraria do Garoto prestou mais uma homenagem à "grande dama" e ao som de marchinhas de carnaval "Valsa de Despedida" e a "Perereca da Vizinha", sucesso de Dercy, conduziu o caixão até o carro do Corpo de Bombeiros que seguiu em direção a sua cidade natal ¿ Santa Maria Madalena - onde será enterrada. A multidão cantou, aplaudiu e se emocionou.

Dercy morreu às 16h45 de sábado (19/07), aos 101 anos, de pneumonia e insuficiência respiratória. Para os conterrâneos, o velório será no Clube Montanhês. O enterro será após a missa das 10h desta terça-feira, no mausoléu construído pela própria comediante, quando descobriu que tinha câncer, há 17 anos.

Vida de Dercy

Dercy Gonçalves foi o nome artístico adotado por Dolores Gonçalves Costa, que nasceu em 23 de junho de 1907. Ela, um dos expoentes do teatro de improviso, iniciou a carreira em 1929, na cidade de Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro.

No ano seguinte, viajou pelo Brasil fazendo par com Eduardo Pascoal com o espetáculo Os Pascoalinos . A atriz participou do auge do Teatro de Revista Brasileiro, nos anos 30 e 40. As principais peças que fez na época foram: Rumo a Berlim , Passo de Ganso (1942), R ei Momo na Guerra (1943), Momo na Fila (1944),  Canta Brasil (1945).

A partir da década de 60, Dercy inicia espetáculos no quais contava fatos autobiográficos de sua vida. Ela dialogava direto com o espectador, sem personagem, fazendo uma seqüencia de piadas e tiradas cômicas. Dercy também atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.

AE
Em cena de "Sonhando com Milhões"
Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior no início da década de 60. De 1966 a 1969 apresentou, na TV Globo, o programa de auditório Dercy de Verdade , que saiu do ar com o início da censura no país.

No final dos anos 80, passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como os apresentados por Sílvio Santos. Ela participou, entre outras, das novelas  Que Rei Sou Eu? (1989) e Deus nos Acuda (1992), da TV Globo.

Em 1985, ela recebeu o Troféu Mambembe como melhor personagem de teatro. A categoria foi criada especialmente para ela que nunca havia conquistado nenhum prêmio por suas atuações.

Dercy Gonçalves ficou famosa por seu bom humor, as entrevistas irreverentes que dava e o uso constante de palavrões de baixo calão. Sua biografia, intitulada Dercy de Cabo a Rabo , foi escrita por Maria Adelaide Amaral, em 1994.

Veja a lista dos filmes que a atriz participou:

1943 - Samba em Berlim
1944 - Abacaxi Azul
1946 - Caídos do Céu
1948 - Folias Cariocas
1956 - Depois Eu Conto
1957 - Feitiço do Amazonas
1957 - A Baronesa Transviada
1957 - Absolutamente Certo
1958 - Uma Certa Lucrecia
1958 - A Grande Vedete
1959 - Cala a Boca, Etelvina
1959 - Minervina Vem Aí
1960 - Entrei de Gaiato
1960 - A Viúva Valentina
1960 - Só Naquela Base
1960 - Dona Violante Miranda
1960 - Com Minha Sogra em Paquetá
1963 - Sonhando com Milhões
1970 - Se Meu Dólar Falasse
1980 - Bububú no Bobobó
1983 - O Menino Arco-Íris
1993 - Oceano Atlantis
2000 - Célia & Rosita

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