BRASÍLIA - O ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio disse nesta quarta-feira, na CPI dos Grampos, que o major e o sargento da aeronáutica, Paulo Ribeiro Branco Júnior e Idalberto Mathias Araújo o apresentaram para o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, então responsável pela operação Satiagraha. Após o encontro, Protógenes o contratou para trabalhar na operação supostamente na separação de e-mails por um salário de R$ 1,5 mil.

Acordo Ortográfico

Questionado por deputados da CPI sobre o porque da realização de "um esquema de guerra", envolvendo militares e um delegado para a contratação de "um simples separador de e-mails", Ambrósio disse não saber.

Em relação aos e-mails que separava, Ambrósio deu a entender que os mesmos estavam no disco rígido (HD) apreendido no Banco Opportunity em 2004, que teve seu conteúdo embargado e depois liberado pela Justiça. O equipamento foi uma das principais fontes de informação para a Satiagraha.

"Eram e-mails antigos. Eu fazia uma leitura superficial, não de mérito, para poder separar", disse. "O HD [dos e-mails era o] que havia sido bloqueado pelo Supremo e depois desbloqueado. Havia dados financeiros, empréstimos e juros", completou.

Sobre seu status na Satiagraha, Ambrósio voltou a dizer que sua tese é a de que ele foi contratado institucionalmente. Mesmo sem um contrato formal de trabalho, ele disse que assinava recibos.

Quando o presidente da Comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), indagou se Ambrósio era contratado como um "X-9, ganso ou alcaguete", figuras tradicionalmente pagas por delegados, ele alegou ser um "colaborador eventual".

Com seu advogado presente na comissão, Ambrósio disse que precisou reunir dinheiro com familiares para pagar os honorários. Disse também que se soubesse dos problemas advindos de seu trabalho na Satiagraha, não teria aceito a missão. Ambrósio ainda disse que coloca seu sigilo fiscal e bancário à disposição da CPI para que qualquer dúvida dos parlamentares em relação a seu trabalho fosse esclarecida.  

Defesa

O deputado Laerte Bessa saiu em defesa do ex-agente do SNI, Francisco Ambrósio, alegando que ele não tem nenhuma participação no caso dos grampos telefônicos envolvendo o alto escalão da República. Para ele, Ambrósio é "um excelente analista de dados" desde os tempos do SNI.

Bessa também defendeu o sargento da aeronáutica Idalberto Mathias, dizendo que não é possível que ele, junto de Ambrósio, sejam tragados para dentro do "escândalo dos grampos".

Félix

A CPI deveria ouvir nesta quarta-feira o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Jorge Félix. Ele pediu adiamento de seu depoimento para analisar os dados das perícias feitas nos equipamentos da Abin.

O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba, concedeu o adiamento e pretende ouvi-lo após as eleições, quando também estará pronta a perícia dos equipamentos da Abin feita pela Unicamp a pedido da comissão.

Leia também

Leia mais sobre: CPI dos grampos

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.