Ambliopia: a doença do olho preguiçoso

Ambliopia: a doença do olho preguiçoso Por Mônica Fialho Cronemberger São Paulo, 04 (AE) - Uma parcela considerável da população em geral, entre 2,5% a 5%, sofre de um problema ocular que pode ser irreversível se não for tratado nos primeiros anos de vida. A ambliopia, popularmente conhecida como olho preguiçoso, ocorre quando um dos olhos do indivíduo não desenvolve a visão.

Agência Estado |

Ou seja, quando o cérebro não aprende a enxergar com um dos olhos.

Trata-se de um problema com estudos no Brasil e no exterior para o qual a única solução é a identificação e tratamento precoce que inclui prescrição óptica e/ou oclusão do olho bom (quando se fecha o olho de melhor acuidade para tentar promover o desenvolvimento do olho amblíope). No entanto, esta possibilidade de correção pode ocorrer até os oito anos de idade, quando, geralmente, se atinge o pico do desenvolvimento visual.

Outra alternativa é o uso de colírio de atropina (penalização) no olho bom em alguns casos específicos.

Depois da primeira década de vida, a correção fica mais difícil. Não há cirurgia ou transplante que possam promover o desenvolvimento tardio da visão no olho acometido.

A ambliopia pode ocorrer por causa estrábica (quando há um desvio ocular) ou refracional (em quadros de miopia, hipermetropia e/ou astigmatismo, por exemplo). O grande foco de atenção é quando a questão é referente à anisometropia (diferença de refração entre os dois olhos), pois nestes casos o diagnóstico do 'olho preguiçoso' costuma ser feito tardiamente, quando a possibilidade de cura é mais difícil. A identificação é mais complicada por parte dos familiares, pelo fato da criança ter um desenvolvimento motor e cognitivo normal, pois tem boa visão em um dos olhos.

A primeira consulta ao oftalmologista deve ser com um ano de idade, mas o profissional pode ser procurado ao verificar pupila branca ou estrabismo. Pais e educadores devem estar atentos a alguns sintomas de problemas na visão como, por exemplo, sensibilidade à luz, lacrimejamento, dores de cabeça frequentes e vermelhidão nos olhos, além de se observar quando a criança se aproxima demais do computador ou da televisão. Quando a baixa de acuidade visual ocorre em apenas um dos olhos, pode não apresentar sintomas.

Para diminuir os casos de ambliopia, o melhor caminho seria a promoção da saúde ocular infantil. Como ocorreu em 2009 no programa Visão do Futuro, voltado para escolares da cidade de São Paulo. O Ministério da Saúde mantém desde 2007 o programa Olhar Brasil, que tem como foco identificar problemas visuais em alunos da rede pública de ensino fundamental e na população acima de 60 anos de idade. Em alguns estados brasileiros é obrigatório o exame do reflexo vermelho nos berçários, capaz de identificar, ao nascimento, alterações congênitas, como a catarata congênita e tumores oculares.

São os primeiros passos para que, aos poucos, ocorra uma conscientização maior capaz de prevenir a ocorrência de deficiência visual e promover uma visão saudável para todos.

* Dra. Mônica Fialho Cronemberger é médica oftalmologista, Chefe do Setor de Motilidade Extrínseca Ocular do Instituto da Visão, vinculado ao Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Possui Mestrado e Doutorado na área pela Unifesp e é membro do Centro Brasileiro de Estrabismo.

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