Ambiente e genética influenciam no aparecimento da doença

Ambiente e genética influenciam no aparecimento da doença Por Fabiana Cimieri Rio, 04 (AE) - Desde os 3 anos, o menino P., de 8 anos, é uma criança triste e calada.

Agência Estado |

"Esta semana ele acordou chorando, dizendo que estava com um aperto no coração", conta a mãe Maria (nome fictício). Ela mesma admite que de vez em quando tem crises depressivas, "uma vontade de sumir" - que melhorou depois que teve o filho.

No início de julho, o pai do menino se enforcou, depois de avisar à Maria o que faria. Com medo de que os sintomas do filho um dia o levassem ao mesmo destino do marido, ela procurou a Santa Casa. Hoje sabe que, além dos fatores ambientais, a genética teve influência na doença do filho.

Regina elogia o tratamento. P. gosta de ir ao ambulatório. Mas a professora do menino acha que ele está disperso. Escreveu isso no relatório. À mãe, ele não pára de dizer que se o pai estivesse vivo lhe daria presentes e deixaria fazer o que quisesse.

Nem sempre é preciso que a vida apresente circunstâncias tão difíceis para que um quadro depressivo se manifeste. O menino M., de 10 anos, está se tratando há um ano com antidepressivos e psicoterapia. "Eu percebia que ele não estava legal, vivia irritado, tinha baixa estima e teve dificuldades para se alfabetizar", lembra a mãe, a dona de casa Márcia(nome fictício), de 49 anos. Apesar de ter se separado do pai de M. quando ele apresentou os primeiros sintomas, aos 6 ou 7 anos, Márcia acha que esse foi apenas um dos gatilhos para a doença. "O pai dele é ótimo, participativo, convivemos bem, sem brigas". Ela disse que resolveu tratar logo o filho com medo de que ele viesse a ter problemas com drogas no futuro.

Evitar uma adolescência problemática também foi o que levou o avô de Tuane, de 13 anos, a procurar ajuda. A menina não apresenta sintomas clássicos, como tristeza e vontade de se isolar. "Eu nunca vi alguém conhecer tanta gente como ela", disse o avô, Ernâni do Nascimento e Souza.

Ele tem a guarda da neta e é quem tenta resolver os conflitos que volta e meia a menina tem com o pai - com quem mora - e com a mãe - com quem não consegue viver nem um dia. "O problema dela é a irritação. Há uma revolta dentro dela, e não pode ser assim. Eu queria que ela morasse com a mãe, mas ela não quer de jeito nenhum", disse Souza.

Apesar de estar há poucos meses em tratamento, conta Souza, a menina tem se mostrado mais afetuosa. Ele, assim como o pai de Tuane, está aprendendo a lidar melhor com a neta nas palestras para os parentes dos pacientes oferecidas no ambulatório.

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