Amazônia perde 754 km2 de floresta em 3 meses--Inpe

SÃO PAULO (Reuters) - A Amazônia perdeu 754,3 quilômetros quadrados de floresta devido ao desmatamento nos meses de novembro e dezembro de 2008 e janeiro deste ano, informou nesta segunda-feira o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados obtidos pelo sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), do Inpe, levam em conta o desmatamento por corte raso ou degradação progressiva.

Reuters |

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o número divulgado pelo Inpe representa uma queda de 70 por cento em relação ao mesmo período nos anos de 2007 e 2008, quando os satélites detectaram um total de 2.527 quilômetros quadrados de degradação e corte raso da floresta. A redução é uma das maiores dos últimos anos, segundo o ministério.

O ministro Carlos Minc descartou que uma eventual retração da atividade madeireira tenha contribuído para a queda do desmatamento na região, e afirmou que o maior controle dos órgãos ambientais e as parcerias com produtores foram os principais fatores para essa diminuição.

"Estamos agindo não só com fiscalização e controle, mas com planos de manejo, acordo com os exportadores e pacto com o setor produtivo da carne", disse o ministro do Meio Ambiente, segundo nota do ministério.

Para Minc, os efeitos da crise mundial no desmate da Amazônia só devem ser percebidos entre os meses de abril e maio, de acordo com a nota.

Segundo o Inpe, 57,9 por cento dos alertas confirmados como desmatamento constataram corte raso da floresta, enquanto 37,3 por cento indicaram floresta degradada. Outros 4,8 por cento dos alertas não foram confirmados.

Em novembro, a área desmatada atingiu 355 quilômetros quadrados. Em dezembro, ficou em 177 quilômetros quadrados, e em janeiro deste ano foram 222 quilômetros quadrados.

Pelos dados do Inpe, o desmatamento total da Amazônia no ano de 2008 fechou em 7.341 quilômetros quadrados, o equivalente quase cinco vezes a área do município de São Paulo.

O ministro afirmou que a proibição do Banco Central para que as instituições bancárias oficiais não financiem o desmatamento está dando resultados, e anunciou que está próximo de fechar uma acordo com a Febraban para que os bancos privados também passem a vetar empréstimos que financiem a degradação da floresta.

PARÁ DE NOVO DESMATA MAIS

Os Estados que mais desmataram entre novembro e janeiro foram Pará, com 319 quilômetros quadrados, e Mato Grosso, com 272 quilômetros quadrados. Em seguida vieram Maranhão, Rondônia, Tocantins, Amazonas, Acre e Roraima.

O Inpe ponderou no entanto que "alguns Estados como Acre, Amazonas, Amapá e Roraima praticamente não foram monitorados devido à alta proporção de cobertura de nuvens no período".

De acordo com o Inpe, entre os meses de novembro e abril a grande intensidade de nuvens na região prejudica a observação dos satélites. Por isso, o instituto decidiu publicar trimestralmente os dados do desmatamento amazônico entre novembro e abril. No restante do ano a leitura é divulgada mensalmente.

Segundo o instituto, a maior área de alertas detectada no trimestre foi no mês de novembro, "quando a proporção de cobertura de nuvens na Amazônia Legal foi menor (63 por cento) em relação aos outros dois meses".

Em dezembro, quando a cobertura de nuvens atingiu 86 por cento da região, a área desmatada detectada diminuiu para 177 quilômetros quadrados. "Em janeiro de 2009, o desmatamento detectado aumentou para 222 quilômetros quadrados, com uma cobertura de nuvens de 76 por cento permanecendo ainda bastante alta", disse o relatório do Deter.

(Por Fabio Murakawa, reportagem adicional de Pedro Fonseca)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG