Aliciadores buscavam adolescentes na porta das escolas e as convenciam a fazer programas por valores entre R$ 30 e R$ 100

Nove pessoas foram presas desde sexta-feira da semana passada (23) suspeitas de integrar uma rede de prostituição infanto-juvenil na cidade de Maués, distante 276 quilômetros de Manaus. Entre os presos, segundo a Polícia Civil, estão funcionários públicos, empresários, músicos e comerciantes. Pelas investigações da polícia, a rede cobrava até R$ 1 mil pela virgindade das adolescentes.

A cidade de Maués (marcada com a letra B) fica a 276 quilômetros de Manaus (sinalizada com a letra A)
Reprodução/Google Maps
A cidade de Maués (marcada com a letra B) fica a 276 quilômetros de Manaus (sinalizada com a letra A)
As primeiras prisões ocorreram na noite de sexta-feira. Um homem de 45 anos foi flagrado com uma jovem de 14 em um motel de Maués. Além dele, dois aliciadores, entre os quais o dono do motel, também foram presos. No sábado, a polícia pediu a decretação da prisão temporária de outras dez pessoas suspeitas de fazer parte da rede. Seis prisões já foram cumpridas até o final da tarde desta segunda-feira. Quatro pessoas estão foragidas.

A rede funcionava da seguinte maneira: os aliciadores mantinham contato com as adolescentes na porta das escolas e as convenciam a fazer programas por valores que variavam entre R$ 30 e R$ 100. Cada aliciador mediava os encontros com as pessoas interessadas em programas com adolescentes. As preferidas eram as menores de 14 anos.

Catálogo e virgindade

Os aliciadores mantinham contato com clientes e ofertavam as jovens com um catálogo fotográfico de cada uma. Após marcar um encontro entre a jovem e o cliente, o aliciador buscava a jovem em casa, normalmente à noite, ia de moto ao local marcado e a buscava depois do programa.  Pelas investigações, existiam pelo menos três aliciadores. Um deles tinha contrato com dez adolescentes. Ainda segundo a polícia, a falta de fiscalização nos quatro motéis de Maués facilitava a entrada das adolescentes.

A rede de prostituição infanto-juvenil também era especializada em agendar programas com adolescentes virgens. Uma virgindade custava até R$ 1 mil. Mas, deste montante, a jovem recebia aproximadamente R$ 100. A adolescente flagrada no motel na sexta-feira com o homem de 45 anos, por exemplo, vendeu sua virgindade aos 12 anos de idade. O valor dos programas era negociado diretamente com as adolescentes. O aliciador recebia do cliente também um valor por mediar os encontros, que variavam também entre R$ 30 e R$ 100. “As jovens eram iludidas por uma vida melhor e por dinheiro fácil”, disse o delegado Mário Melo.

A investigação durou aproximadamente quatro meses e a polícia suspeita que a organização funcionava há aproximadamente dois anos. A polícia investiga se pessoas de outras cidades e de outros Estados também buscavam programas com crianças e adolescentes em Maués. “A cidade é muito hospitaleira e existe a suspeita de que haviam festas regadas a bebidas, comidas e menores”, explicou Melo.

Nesta terça-feira (27), a polícia continuará as buscas para prender os quatro outros foragidos. Entre os foragidos está um dos aliciadores, um dono de casa de shows e um Dj. Todos os presos responderão pelos crimes de pedofilia, estupro de vulnerável e formação de quadrilha. Todos esses crimes são hediondos. Cada integrante da rede pode ser condenado em até 29 anos de prisão por ato sexual praticado pelas adolescentes.

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