Ministério Público acusa agência dos EUA de promover turismo sexual com índias

Empresa do Brasil também é denunciada por aliciar e drogar mulheres, que depois seriam estupradas pelos turistas. Agência nega

Wilson Lima, iG Maranhão |

O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas ingressou com uma ação penal por abuso sexual e incentivo à prostituição contra Richard Schair, proprietário da agência de turismo Wet-A-Line Tours, responsável por organizar excursões pesqueiras na Amazônia. Schair também responde a outros dois processos na Justiça americana pelos mesmos crimes. 

Reprodução Google Maps
Autazes fica a 118 quilômetros de Manaus. Só é possível chegar à cidade de barco ou helicóptero
A ação do MPF foi impetrada após denúncias da Fundação Nacional do Índio (Funai) do Amazonas segundo a qual mulheres da cidade de Autazes, a 118 km de Manaus, estavam sendo aliciadas e estupradas por clientes da agência Wet-A-Line durante passeios organizados pela empresa. Ainda não há prazo para julgamento da ação. O processo tramita em segredo de Justiça.

Pelo menos 15 vítimas já foram descobertas, mas acredita-se que cheguem até 20 o número de vítimas. Os passeios eram organizados em parceria com a agência Santana Ecofish Safari. O proprietário da agência brasileira, José Lauro Rocha da Silva, também é alvo desta mesma ação do MPF. Também são réus na Justiça brasileira Daniel Geraldo Lopes, Juscelino de Souza Motta e os irmãos Admilson Garcia da Silva e Adilson Garcia da Silva, todos ligados à Santana Ecofish.

As primeiras denúncias surgiram em 2000, quando indígenas entre 9 e 17 anos denunciaram à Funai abusos nos passeios organizados pelas duas empresas. Os passeios ocorriam em barcos de luxo às margens do rio Negro. As companhias ofereciam pacotes para turismo sexual camuflados de passeios de pesca. Pelas denúncias,funcionários da agência intermediavam os encontros entre as indígenas e os estrangeiros. Nas embarcações, as adolescentes eram drogadas e abusadas.

Reportagem do jornal "The New York Times" da semana passada afirmou que o empresário é alvo de um processo no Estado da Geórgia por quatro das vítimas destes passeios. Ao jornal, Schair negou as acusações. O iG tentou contato com a agência Santana Ecofish Safari mas não conseguiu até o fechamento desta matéria.

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