Com clima de deserto, Manaus tem o menor índice de umidade em 100 anos

Capital do Amazonas geralmente tem índices de umidade de 80%, mas, nesta semana, seus moradores sofreram com taxas semelhantes às do deserto do Saara

Wilson Lima, iG Maranhão |

Durante uma semana, moradores de Manaus sofreram não apenas com as tradicionais temperaturas altas mas também com uma inusitada taxa de umidade relativa do ar - a menor em mais de 100 anos ( leia alguns depoimentos ). O calor forte e a baixa umidade obrigaram o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Amazonas a emitir recomendação de alerta para a Defesa Civil e para a Prefeitura de Manaus.

AE/ALEX DE JESUS
Situada no meio da floresta, Manaus teve índices de umidade do ar semelhantes às do deserto do Saara
Na quinta-feira, a umidade relativa do ar em Manaus chegou a 18%, sete pontos percentuais abaixo da média registrada em Brasília, uma das cidades mais secas do País, durante o mês de agosto. Essa foi a menor umidade relativa do ar detectada pelo Inmet desde a sua criação na cidade, há 102 anos. Esse índice é pouco maior aos registrados no deserto do Saara. Nas montanhas de areia do norte da África, bem diferentes da floresta que circunda Manaus, as taxas de umidade variam entre 10% e 15%. Tradicionalmente, a umidade em Manaus oscila em torno de 80% - uma das maiores do País, por conta dos rios e da floresta. 

Nos últimos dias, tem chovido pouco na cidade. A média histórica é de cerca de 47 milímetros de chuva para agosto, já baixo para a região, mas dificilmente esse número será alcançado.

Ao jornal "A Crítica", um dos maiores do Amazonas, o físico Paulo Artaxo, membro do IPCC (sigla em inglês de Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), afirmou que "a umidade relativa do ar expressa a quantidade de vapor de água na atmosfera. Em Manaus os valores normais de umidade vão de 70 a 90%, pois é uma região normalmente muito úmida, com alta concentração de vapor de água". Ele evitou relacionar o ar seco a mudanças climáticas, pelo menos a curto prazo: "Não é possível víncular diretamente agora, mas não é possível excluir essa possibilidade a longo prazo".

Temperatura

Na quarta-feira, Manaus registrou a maior temperatura do ano: 36,7°C à sombra. Esse número é apenas 1,6°C inferior à maior temperatura registrada na história da cidade. Em 30 de setembro do ano passado, Manaus teve o dia mais quente da história: 38,3°. A sensação térmica na quarta-feira na capital amazonense chegou a 41°C.

Segundo a chefe do chefe do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Amazonas, Lúcia Goulart, a baixa umidade ré provocada por uma intensa massa de ar quente e seca que chegou na região. A tendência é que nos próximos dias Manaus continue registrando taxas próximas ou menores às que foram detectadas na quinta-feira passada. Desde segunda-feira, o instituto já emitiu alerta para Manaus por causa da redução da umidade para patamares inferiores a 30%. Agora, o receio dos metereologistas é que as taxas sejam inferiores a 12%. Fatores como a urbanização e o desmatamento na região Amazônica agravam esse problema.

Caso chegue a esse patamar, o Inmet recomenda a paralisação das atividades escolares e das atividades do governo do Estado e município. O instituto também alerta que as pessoas devem evitar sair de casa se a umidade do ar continuar caindo na região. Com a umidade relativa do ar na casa dos 20%, não se recomenda a realização de exercícios físicos entre as 10h e às 16h. Nesse patamar de umidade do ar, existem riscos à saúde como o aumento de casos de conjuntivite e ressecamento da pele.

 O governo do Amazonas e a prefeitura de Manaus não descartaram a possibilidade de interromper as atividades em função das altas temperaturas na região, caso a umidade continue caindo na próxima semana. Mas isso, de acordo com os dois órgãos, somente será definido diante de uma necessidade extrema.

Moradores reclamam do tempo seco em Manaus:

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