"A teia é muito grande", diz delegado sobre prostituição de jovens

Grupo que vendia virgindade de meninas a mil reais tinha professores e assessores de políticos como clientes, diz polícia do Amazonas

Wilson Lima, iG Maranhão |

As investigações sobre a rede de prostituição infanto-juvenil na cidade de Maués, distante 276 quilômetros de Manaus, revelaram nesta terça-feira (27) o envolvimento de um professor de escola pública e pelo menos dois assessores de políticos. As adolescentes tinham, em média, 14 anos.

Reprodução/Google Maps
Maués, indicada pela letra B, fica a 276 quilômetros de Manaus
Leia também: Rede de prostituição cobrava mil reais por virgindade de jovem

Segundo informações da Polícia Civil do Amazonas, chega a dezoito o número de pessoas suspeitas de fazer parte da rede. Nesta terça-feira, a polícia prendeu o décimo suspeito de envolvimento com essa quadrilha. Existem mais três mandados de prisão temporária a serem cumpridos na cidade. As pessoas envolvidas devem responder pelos crimes de pedofilia, estupro de vulnerável e formação de quadrilha.

As informações sobre o professor envolvido na rede de prostituição não foram divulgadas, mas o delegado Mário Melo, presidente do inquérito que investiga o crime de exploração sexual na cidade, informou que um dos assessores políticos envolvido na rede trabalha na Câmara de Vereadores de Maués e o outro na Assembleia Legislativa do Amazonas.

Tanto o professor quanto os assessores eram clientes da rede de prostituição. “Existem também comerciantes, músicos e empresários envolvidos. A teia é muito grande”, disse o delegado. O número de adolescentes exploradas pela rede ainda é incerto, mas pelo menos dez meninas faziam parte dos catálogos oferecidos pelos aliciadores.

A Polícia Civil ainda estuda a possibilidade de pedir a decretação de outras quatro prisões temporárias de pessoas que foram citadas na investigação nesta terça-feira. Entre elas, a do professor. “Isso dependerá de como irão transcorrer as investigações”, declarou o delegado.

A rede

Após os primeiros depoimentos, a Polícia Civil confirmou que eram pelo menos três os aliciadores das adolescentes. Um deles era proprietário de um motel em Maués. Os aliciadores mantinham contato com as adolescentes na porta das escolas e em algumas festas na região. As adolescentes que faziam parte da rede de prostituição cobravam programas entre R$ 30 e R$ 100. Os aliciadores também se especializaram em vender virgindades. Um programa com uma adolescente virgem chegava a custar R$ 1 mil.

As investigações sobre essa rede de prostituição começaram há aproximadamente quatro meses, mas estima-se que ela funcionava há dois anos. A operação que desarticulou essa rede começou na sexta-feira da semana passada com a prisão de um homem de 45 anos, flagrado em um motel com uma adolescente de 14.

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