SÃO PAULO - O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) negou nesta sexta-feira que ele ou o seu assessor André Fernandes tenham vazado para a imprensa documentos da Casa Civil com dados sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ¿Não, não foi ele, pelo menos ele disse que não¿, afirmou o parlamentar em rápida entrevista coletiva no saguão da sala de embarque do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Segundo Dias, Fernandes afirmou que havia recebido as informações da Casa Civil na semana anterior à publicação dos dados pela revista "Veja". O parlamentar contou que solicitou cópia dos documentos e que o assessor pediu sigilo da fonte.

Sobre a atitude de André Fernandes de ter lhe fornecido cópia do material, o senador defendeu o assessor. [Ele] agiu no estrito cumprimento de seu dever legal, ao contrário, se ele silenciasse diante de um documento dessa natureza, aí sim ele estaria cometendo, estaria praticando, uma infração administrativa, disse Álvaro Dias, ao acrescentar que a responsabilidade, na sua avaliação, é de quem reuniu os documentos na Casa Civil.

Ainda hoje, o senador deve conceder outra coletiva sobre o assunto em Itajaí (SC).

Reprodução/ TV Globo
José Aparecido Nunes teria vazado o dossiê
Nesta manhã, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendeu o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, mas afirmou que ele não é seu aliado.

Entenda o caso

No dia 4 de abril, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem com uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil , revelando um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, e de ministros tucanos.

A "Folha", que teve acesso ao documento, afirma que no período de uma semana foram criadas pastas diferentes para 1998, ano em que FHC foi reeleito, e os quatro anos do segundo mandato.

Ainda segundo o jornal, as planilhas, fartas em registros de compras de bebidas alcoólicas, trazem anotações que poderiam orientar os aliados governistas nos trabalhos da CPI dos Cartões, criada após a divulgação de gastos irregulares com cartões corporativos por membros do governo Lula.

Após a divulgação das planilhas, a ministra Dilma Rousseff teria telefonado para a ex-primeira-dama, Ruth Cardoso , dizendo que não se tratava de um dossiê. Dilma ainda convocou uma entrevista coletiva, em que voltou a negar a existência do dossiê.

Na ocasião, a ministra defendeu que o que havia sido feito era um banco de dados para sistematizar dados do governo FHC, afim de informar membros da CPI sobre os gastos.

Nesta quarta-feira, em depoimento de mais de 9 horas no Senado, Dilma voltou a negar a existência do dossiê .

Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos . De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.

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