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Álvaro Dias diz que há blindagem entre governo e ex-assessor da Casa Civil

BRASÍLIA - O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse nesta quinta-feira que não acredita que o depoimento do ex-assessor da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires ¿ convocado para depor na CPI mista dos Cartões na próxima terça-feira, 20 ¿ contribuirá nas investigações da Polícia Federal.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

  • STF nega habeas-corpus a José Aparecido
Reprodução/ TV Globo
José Aparecido Nunes teria vazado o dossiê
Para o senador tucano, há um acordo entre o governo e o ex-assessor da Casa Civil (ele pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira, 14) de blindagem recíproca.

As pessoas mais importantes do governo serão protegidas por ele (José Aparecido) e ele será protegido por elas, teorizou o parlamentar, que disse não nutrir falsas expectativas de que os senadores conseguirão arrancar de Aparecido grande coisa. 

O ex-assessor da Casa Civil José Aparecido é acusado de vazar o suposto dossiê de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias, cujo depoimento está marcado para ocorrer no mesmo dia que o do ex-assessor.

O parlamentar disse depositar sua confiança nas investigações que estão sendo feitas pela PF, que deverá responder a três questões fundamentais: quem mandou elaborar o dossiê, quem o fez e o motivo. 

Questionado se deverá haver uma acareação entre os dois, o senador disse não haver necessidade. Espero que o depoimento de cada um esgote os fatos, disse e aproveitou para elogiar a conduta de seu assessor.

André deveria ser premiado por ter agido corretamente, com lealdade. Ele vai à CPI para colaborar, emendou Dias, que criticou a tentativa de Aparecido de ir à CPI com habeas corpus. 

O advogado de José Aparecido, Luis Maximiliano Telesca, entrou na noite desta quarta-feira com uma tentativa de habeas corpus para que ele tivesse direito de ficar calado quando julgasse necessário na sessão da CPI. O Supremo Tribunal Federal negou o pedido, nesta quinta-feira.

A sessão que ouvirá os depoimentos dos dois envolvidos depende do recebimento dos depoimentos prestados por eles à Polícia Federal. Até esta quinta-feira, a PF só havia tomado o depoimento de André Fernandes, ocorrido na segunda-feira (12).

Entenda o caso

No dia 4 de abril, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem com uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil , revelando um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, e de ministros tucanos.

A "Folha", que teve acesso ao documento, afirma que no período de uma semana foram criadas pastas diferentes para 1998, ano em que FHC foi reeleito, e os quatro anos do segundo mandato.

Ainda segundo o jornal, as planilhas, fartas em registros de compras de bebidas alcoólicas, trazem anotações que poderiam orientar os aliados governistas nos trabalhos da CPI dos Cartões, criada após a divulgação de gastos irregulares com cartões corporativos por membros do governo Lula.

Após a divulgação das planilhas, a ministra Dilma Rousseff teria telefonado para a ex-primeira-dama, Ruth Cardoso , dizendo que não se tratava de um dossiê. Dilma ainda convocou uma entrevista coletiva, em que voltou a negar a existência do dossiê.

Na ocasião, a ministra defendeu que o que havia sido feito era um banco de dados para sistematizar dados do governo FHC, afim de informar membros da CPI sobre os gastos.

Na quarta-feira, 9 de maio, em depoimento de mais de 9 horas no Senado, Dilma voltou a negar a existência do dossiê .

Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos . De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.

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